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Museu em Corumbá mostra alma pantaneira
Cultura e belezas naturais estarão reunidas em casarão histórico
Imagine caminhar por 8 mil anos da história de uma das regiões mais belas do País. Conhecer, em poucas horas, a cultura e as riquezas naturais de um ecossistema considerado patrimônio da humanidade. Esse é o cardápio do Museu de História do Pantanal (Muhpan), que deve abrir as portas até o fim do ano, em Corumbá (MS).
Construído em 1876 diante do Rio Paraguai, o casarão Wanderley&Baís abrigará o museu. O edifício é o mais imponente do conjunto arquitetônico conhecido como Casario do Porto - que data do período em que Corumbá foi o terceiro mais importante porto fluvial da América Latina, até 1930. Os 1.600 metros quadrados foram restaurados. As grossas paredes ainda são de calcário original, e o delicado piso de ladrilhos hidráulicos tem mosaicos nas cores laranja, café, areia e preto.
A preocupação do espaço é captar a identidade pantaneira e colocá-la à disposição do público. Índios bororos viajaram 1.200 quilômetros até Corumbá para reproduzir, nas esculturas da artista Alejandra Conte, as pinturas corpóreas usadas pela tribo.
Para reunir o acervo, o arquiteto Nivaldo Vitorino, autor do projeto museológico do Muhpan, garimpou artefatos, documentos e histórias no próprio Pantanal. Pescadores, comerciantes, ferroviários, fazendeiros e índios doaram peças para a coleção. Há balas de canhão e espadas usadas na Guerra do Paraguai (1864-1870), um cocar da tribo bororo e um batelão bandeirante - tipo de canoa feita de um tronco único com 7 metros de comprimento e 300 quilos de madeira. Mapas espanhóis do Pantanal entre 1530 e 1600 foram doados por museus do Brasil e da Europa, além de outros feitos por bandeirantes que chegaram à região no século seguinte.
A visita começa na pré-história pantaneira. Fósseis e fragmentos arqueológicos retratam os primeiros vestígios humanos na região.
Em ordem cronológica, o roteiro segue pela conquista espanhola, pelas missões jesuíticas e pelas incursões bandeirantes. Passa pelas expedições científicas do início do século 20, pela Guerra do Paraguai, pela próspera Corumbá dos imigrantes italianos, portugueses, árabes e espanhóis, e termina no século 20 da Ferrovia Noroeste, da pecuária e da mineração mato-grossenses e dos ladrilhos hidráulicos marcantes no artesanato local.
Duas salas no andar térreo apresentam as belezas. A primeira, chamada Imersão ao Pantanal, é um corredor escuro revestido de espelhos, onde são refletidas imagens da flora e da fauna. A segunda, Os Pantanais, traz grandes fotos aéreas em discos iluminados no chão.
Depois de ver o Muhpan, aproveite outras atrações locais. Bem em frente ao museu, há barcos-hotéis para curtir alguns dias de pesca esportiva no Rio Paraguai. De carro, pela Estrada Parque, pode-se chegar à Nhecolândia, uma das regiões mais selvagens do Pantanal.
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