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Quinta-feira, 17 abril de 2008   edições anteriores
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  É sopa de Pessach? Tome tudo!

Na comemoração de Pessach, que começa no sábado e segue por oito dias, não se pode comer nenhum alimento fermentado nem produtos como biscoitos e macarrão. Mas o menu inclui matzá, o pão ázimo, e pratos como gefilte fish. Sem falar, claro, nos caldos

Roberto Simon

Uma velha piada iídiche conta que um judeu náufrago numa ilha deserta constrói sempre duas sinagogas: uma para freqüentar todo dia e outra em que ele não põe o pé nem morto. Quando o assunto é a sopa servida em Pessach, um dos pratos tradicionais da páscoa judaica que começa neste sábado, as rivalidades podem não ser tão extremas - mas são quase.

*Veja outras receitas de sopas para o Pessach no site estadão.com.br

Ashkenazim (os judeus da Europa Central e Oriental) e sefarditas (do Oriente Médio, Norte da África e Península Ibérica) preservam suas sopas típicas - e toda mãe judia tem a “melhor receita de todas”. Em comum, há o respeito às leis alimentares de Pessach.

O caldo com kneidalech, ou matzo ball, pela denominação à americana, é a grande estrela do lado ashkenazi. Anita Kesselman, judia de tradição polonesa que aprendeu a cozinhar com a mãe, repete todo ano religiosamente (sem trocadilho) a receita desses bolinhos tipo dumplings, feitos com farinha de matzá e imersos em um caldo de frango ou carne, o youch. “É uma receita simples, mas que tem seus truques”, explica.

Sefarditas têm pratos bem distintos dos ashkenazim. “Nossa cozinha é mais farta e variada”, advoga Débora Dayan, nascida no Cairo e proprietária do Chez Deby Buffet. A observação, claro, foi levada a Anita, que respondeu: “Ah é? Eles fazem muita mistura de salgado com doce, acho um exagero.”

É bom observar que os caldos não fazer parte do Seder, o jantar religioso da páscoa judaica. Porém, ao longo dos sete dias de restrição alimentar, é costume tomar algumas sopas típicas, como o hamod, que Débora também prepara todo ano. Na panela, um caldo de suco de limão, coentro e legumes, com pedaços de carne cozida e quibes de arroz. “É uma sopa de limão”, resume.

Segundo a história de Pessach, os escravos hebreus não tiveram tempo de fermentar o pão quando fugiam do Egito, daí o motivo de comer matzá, biscoito sem fermento. A partir deste sábado até o dia 27, mães judias levarão o tempo que for para fazer suas sopas - que são, é claro, as melhores.


Sopa hamod

Ingredientes

Para o caldo:


3 litros de água

3 tomates

2 cebolas

700g de músculo (ou alcatra misturada a ossobuco)

1 salsão pequeno

Para a sopa:

1 tablete de caldo de galinha

1 maço de coentro verde picado

2 batatas em cubos

1 colher (sopa) de alho

1 colher (sopa) de extrato de tomate

1 colher (sopa) de cominho

Suco de 2 limões

Sal e pimenta síria a gosto

Para o quibe de arroz:

1 copo de carne moída

½ copo de creme de arroz

1 copo de água

Para o recheio do quibe:

250g de carne moída

pré-cozida

Pimenta síria

Alho e cebola picados a gosto

Cominho e açafrão a gosto

Preparo

Caldo: Faça um caldo com os ingredientes na panela de pressão, por 40 minutos. Coe, esprema o sumo dos ingredientes e devolva a carne ao caldo. Reserve.

Quibe: Misture a carne moída e o creme de arroz com um pouco de água, apenas para dar liga. Misture os ingredientes do recheio. Abra a massa de arroz na palma da mão em pequenos discos e recheie. Feche as bolinhas de quibe e reserve.

Sopa: Volte o caldo ao fogo, acrescente os ingredientes da sopa e os quibes. Deixe ferver por mais 30 minutos ou até que as batatas e os quibes estejam cozidos.



Caldo com Kneidalech

Ingredientes

Para o caldo:


1 peito de frango

6 asas

200g de moela

½ salsão

1 maço de salsinha

1 cenoura

1 cebola

1 chuchu

1 batata grande

Para o kneidalech:

3 ovos

1 cebola picadinha e frita

1 ½ xícara de farinha de matzá

Preparo

Caldo: Junte os ingredientes na panela, cubra com água e cozinhe por 3 a 4 horas.

Kneidalech: Bata as claras em neve, acrescente as gemas, o sal, a pimenta e a cebola frita (bem dourada). Misture bem até a massa ganhar uma consistência de mingau. Deixe descansar por duas a três horas. Em seguida, adicione a farinha de matzá aos poucos. A massa estará no ponto certo quando não grudar na mão molhada. Enrole os bolinhos e cozinhe na água fervendo. Após dois a três minutos, quando começarem a boiar, estarão prontos. Ou, se preferir, faça o teste: o bolinho deve ser cortado com facilidade e sem grudar na faca. Sirva o caldo com o bolinhos.

   


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