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Julio Mesquita
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Quinta-feira, 11 janeiro de 2007   edições anteriores
PALADAR
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  Para suas leituras de verão

Aproveitando que o plano de férias de muitos leitores inclui vastos momentos de ócio, com muitas horas dedicadas à leitura, Paladar montou sua biblioteca rápida de verão - com variados tipos de obras dedicadas ao nosso assunto favorito: comer e beber

Luiz Henrique Ligabue

Uns esperam o lançamento do livro de seu cronista preferido para saborear entre um mergulho e outro no mar. Outros aguardam o calhamaço de centenas de páginas de seu romancista favorito para ler balançando na rede, no silêncio de quem está longe da metrópole. E a grande maioria adora pensar nas férias como o momento oportuno para começar a sério aquela obra que está há meses na cabeceira do quarto.

Paladar resolveu pensar nesses comportamentos clássicos para sugerir alguns títulos muito bons dentro do universo do qual mais gostamos: comida e tudo o que a cerca. Nossa biblioteca rápida de verão tem de tudo, privilegiando lançamentos recentes - o biênio 2006/2007, aliás, vai se confirmando como uma safra das melhores. No menu (com o perdão do trocadilho) categorias como: “guia de viagem”; “enciclopédia”; “dicionário”; “ciência”; “romance histórico”; e “contos curtos”. E você ainda tem vinte dias até o fim de janeiro.

Short Stories - Cinco minutos sobrando, já bastam. Abra o seu exemplar de A Miscelânea da Boa Mesa de Schott (159 pags. Intrinseca, R$ 39,40) e leia um de seus contos, verbetes, receitas, frases, gráficos, orações, menus célebres, ou descubra, por exemplo, como calcular a quantidade ideal de macarrão, ou a proporção adequada entre pipoca doce e salgada que se deve comer no cinema para evitar um sede incontrolável. Nesse pequeno notável você pode ainda topar com a grafia de Coca-Cola em diversos idiomas, ou com a equação Harris-Benedict - uma das fórmulas usadas para se calcular o gasto energético por dia de uma pessoa em repouso. Uma mistura completa do mundo gastronômico para ser lida aos bocadinhos - isso se você conseguir largar antes do fim.

Enciclopédia - A caipirinha perdeu a graça? O trivial variado limão, maracujá, kiwi e morango, na cachaça, na vodka ou no saquê, não satisfazem mais? Nada como uma pitada de conhecimento enciclopédico para refrescar sua cozinha. Frutas Brasileiras Exóticas Cultivadas - de consumo in natura (627 pags. Instituto Plantarum de Estudos da Flora LTDA, R$ 80) traz nada mais, nada menos do que 827 tipos de frutas, todas as espécimes cultivadas em nossa terra. Assim, além da caipirinha você pode fazer um bela salada de frutas, sucos, chutneys, e o que quiser, sem correr o risco de repetir os ingredientes. O livro, que pesa aproximadamente 1,7kg, traz informações técnicas, acompanhadas de 1.214 fotos coloridas, para que ninguém “leve gato por lebre” . Vá diretamente à fonte, evite intermediários e compre pelo site do instituto (www.plantarum.com.br).

Dicionário - Se você anda frequentando restaurantes franceses, ou se planeja uma viagem a uma das capitais mundiais gastronômicas, uma boa investida para os momentos de ócio é o Dicionário de Termos da Gastronomia Frances / Português (175 pags. Editora Boccato R$ 29), de Helen Helena. Além dos verbetes, o livreto traz uma pequena apresentação de duas das principais atrações da mesa francesa: o queijo e o vinho. Há ainda mapas das principais regiões desses produtos, um pequeno apêndice sobre personagens históricos da gastronomia e receitas de pratos clássicos.

Viagens - Se você não aproveitou este verão (aqui, no hemisfério sul) para conhecer a pátria dos vinhos Tokay, quem sabe depois de ler Viagem Gastronômica pela Hungria (288 pags. Landy Editora, R$80), de Maria Isabel de Thurzó Sipos Altílio, sele seu destino para as próximas férias. Em uma rápida introdução, o livro apresenta informações básicas sobre o país (regiões, produtos e curiosidades históricas), para depois, em suculentos capítulos, atirar o leitor à culinária magiar, dos lángos (uma espécie de pizza) até o bolo de panquecas, passando pelos tradicionais pratos à base de repolhos e pimentões. Sua viagem será certamente longa e saborosa - tirando as dificuldades com o idioma, pois, como já alertou Chico Buarque em seu livro Budapeste, o húngaro é a “única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita”.

Ciências - O senso comum diz que a ciência deve seus avanços à curiosidade humana. Tudo bem, acreditamos nisso sem maiores questionamentos. Robert L. Wolke, professor emérito de química na Universidade de Pittburg, é um grande curioso. Em O que Einstein Disse a seu Cozinheiro 2 (350 pags. Jorge Zahar Editor, R$ 37,80), uma coletânea de ensaios sobre alimentos e processos que ocorrem na cozinha, busca esclarecer os mistérios do universo das panelas e das comidas. O livro traz também uma série de apetitosas “experiências” - então cuidado, pois, neste caso, matar a curiosidade significa contribuir para o progresso de sua cintura, e não exatamente da ciência.

História - Fatos e aventuras tipicamente norte-americanas? Claro que nada sobre a Guerra de Secessão, e muito menos sobre Al Capone e sua gangue. O editor David Kamp, da Vanity fair, traça em United States of Arugula (392 pags. Broadway Books, U$ 17,16 - www.amazon.com) a história da revolução da comida em seu país. Para tentar responder a uma simples questão - como, nos últimos anos, a comida nos EUA melhorou em qualidade e expandiu seus horizontes, antes limitados a um gueto econômico esnobe e privilegiado, tornando-se parte da cultura popular -, Kant conta histórias de chefs, celebridades, donos de restaurantes, empreendedores e jornalistas. Todos personagens responsáveis pela atual paixão americana por balsâmicos e sushis, vinhos e cozinhas hi-techs.


Coloque na lista

Best Food Writing 2006, Holly Hughes (363 pags. Marlowe & Company, US$ 11,32, em www.amazon.com). Coletânea com textos de Jeffrey Steingarten e Frank Bruni, entre outros.

Chame o Chef, Luciana Fróes (252 pags. Ediouro, R$39,90). Renomados chefs contam situações constrangedoras de seu métier.

Tintos & Brancos, Saul Galvão (640 pags. Conex, R$ 110). Nova edição, revisada e ampliada, da obra de referência do mundo dos vinhos.

O Grande Dicionário de Culinária, Alexandre Dumas (340 pags. Jorge Zahar editor, R$ 89). Centenas de crônicas e receitas.

Comer é um sentimento, François Simon (250 pags. Senac, R$50). O crítico francês e o prazer em comer.

   


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