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Sagatiba Preciosa será aberta com um martelo
Sagatiba Preciosa, feita em Ribeirão Preto (SP), vai a leilão da Christie's com lance mínimo de 320 euros
Miguel Icassatti
Nos alambiques, engenhos e canaviais da região de Ribeirão Preto, corria até poucos anos atrás uma lenda que falava sobre barris de cachaça que haviam sido enterrados em algum lugar no que um dia foi o Engenho Central, uma das primeiras destilarias de São Paulo, fundada em 1906. Por um certo acaso, mas também por um tanto de persistência, essa história provou-se realidade em 2004, quando o empresário Roberto Biaggi e Gustavo Lanza Faria, master distiller da cachaça Sagatiba, encontraram o líquido descansando em quatro tonéis de carvalho francês de 2.500 litros.
Na próxima semana, uma pequena amostra dessa cachaça - que ganhou o nome de Preciosa - vai a leilão pela casa Christie's. No dia 28, 3ª feira, duas garrafas poderão ser arrematadas em Amsterdã e, no dia seguinte, em Paris, será a vez de outras três. O lance inicial para cada uma é de 320 euros (algo em torno de mil reais).
'Era um diamante bruto', lembra Gustavo Faria, que ouviu falar da bebida enquanto percorria, durante dois anos, cerca de 500 alambiques pelo país. Os barris eram de uma madeira espessa, fechados com pinos de ferro fundido e não com solda, como é mais comum hoje. Cada um trazia a identificação de que a última remonta havia sido feita em 1982. 'Não posso precisar a data, mas estimo que a cachaça tenha sido produzida nos anos 60', diz Faria.
Quando os tonéis foram abertos, viu-se que restava um volume de 4 mil litros da bebida, dos quais metade foi aproveitada e será vendida a partir do primeiro semestre de 2007, em 2.800 garrafas. O líquido era completamente preto e, por isso, passou por um rigoroso processo de filtragem e por diversos painéis sensoriais - mantendo, no entanto, as características mais próximas do que seria a cachaça original.
Em 14 de novembro, 3ª feira retrasada, no lobby bar do Renaissance São Paulo Hotel, Paladar degustou com exclusividade o exemplar número 6 da Sagatiba Preciosa - as garrafas, além de numeradas, foram esculpidas a sopro, na França, e pintadas com uma tinta que contém ouro. O destilado, de 42% de álcool, tem uma bela cor âmbar. Nos aromas, complexos, percebe-se a presença de baunilha, mel, notas picantes e algo queimado, provavelmente herdado da tostadura do carvalho francês. Na boca, a Preciosa agrada ligeiramente menos: é bem seca, tem acidez equilibrada, notas finas de madeira, mas é pouco encorpada, passa rápido demais pela garganta.
Em uma degustação às cegas realizada pelo respeitado Beverage Testing Institute, de Chicago (EUA), a amostra da Sagatiba Preciosa obteve 96 pontos em 100 possíveis, conquistando a inédita medalha de platina. Mais informações no site www.christies.com.
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