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Julio Mesquita
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Domingo, 15 junho de 2008   edições anteriores
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  Redes não exigem conhecer alimentos

O que elas pedem é noções de gestão e administração

Maria Teresa Marques

No primeiro trimestre deste ano, o faturamento do setor de franquias de alimentação cresceu cerca de 22% em relação ao mesmo período de 2007, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

São inúmeras as redes que atuam nesse segmento, em constante crescimento, e têm particular representação aquelas da área de fast food. E para eventuais interessados é importante saber que nenhuma das redes exige conhecimento sobre alimentos.

Até porque o treinamento que as redes fornecem envolve informações sobre seus produtos. O que elas procuram, isto sim, são empreendedores com experiência em gestão e que tenham consciência de que a dedicação é ponto importante para o sucesso desses empreendimentos.

Uma das mais tradicionais redes de alimentação fast food é o Bob’s, de propriedade da empresa Brasil Fast Food Corporation (BFFC). O diretor de Desenvolvimento e Franquias da BFFC, Flávio Maia, explica que o investimento é de no mínimo de R$ 400 mil. A rede possui 615 unidades no Brasil. E para saber o que pensam e querem tantos franqueados há maneiras diversas. Segundo Maia, existe um conselho composto por nove franqueados e três diretores, que se reúnem trimestralmente. A rede também realiza convenções bianuais para todos os franqueados. Em novembro haverá um desses eventos.

Maia informa ainda que a BFFC vai relançar no ano que vem a franquia da KFC, que esteve presente no Brasil há alguns anos.

Carlos Botelho, de 54 anos, é franqueado do Bob’s há cerca de dez anos e possui 12 unidades - seis lojas e seis quiosques - em São Paulo capital e na região do ABC. Cada unidade tem um gerente e dois administradores. Botelho faz pelo menos uma visita por semana a cada uma. Ao todo são 160 funcionários.

Ele é auxiliado na administração por uma de suas filhas. “Em fins de semana, quando dá, assisto futebol. Quando não dá, é porque estou nas lojas.”

COMIDAS TÍPICAS

A Premiatto, especializada em comidas típicas, e outra marca do setor de alimentos fast food. A rede tem 17 unidades e quatro para serem inauguradas, segundo a gerente de Marketing, Adriana Piva Marascalchi. A maioria está na capital de São Paulo e no interior do Estado.

A proposta dos produtos é italiana, mas há pratos como picanha e arroz à grega. Nas praças de alimentação dos shoppings, a metragem das lojas fica entre 40 m² e 65 m². A primeira loja de rua da rede será inaugurada no Rio de Janeiro. O público frequentador, segundo Adriana, é das classes A, B e C. O capital para instalação fica entre R$ 290 mil e R$ 365 mil.

O perfil que a rede pede é de pessoas com espírito empreendedor, diz Adriana, familiarizado com o sistema de franquias e que esteja disposto a trabalhar em alimentação, “um setor desgastante, onde não é suficiente saber cozinhar”. O que interessa, na verdade, diz a gerente, é que a pessoa tenha noções de administração.

Tulio Rampasso é um dos franqueados da Premiatto desde 2004. Até 1996, era empregado e depois dedicou-se a negócios próprios. “Aí optei por franquia pela segurança e porque acho que tem maior penetração.” Ele lembra que quando fez a pesquisa no setor de alimentação a variedade de pratos da Premiatto chamou sua atenção, “por não ser comum em unidades instaladas em shoppings”. Nos dois primeiros anos, o dia-a-dia de Rampasso era bem mais agitado. “Agora estou um pouco mais sossegado porque organizei a loja e tenho um gerente.”

Na Uno & Due reinam os pães e sanduíches. A gerente de Expansão da rede, Marcia Cuder, explica que o carro-chefe é o sanduíche na baguete, que tem 20 opções de recheio. A empresa abriu franquia em 1996. Tem atualmente 63 lojas - 60% de rua e 40% de shopping, diz Marcia. Na rua, a metragem varia entre 80 m² e 100 m². No shopping, até 60 m². O investimento é de R$ 250 mil. A orientação para seus franqueados, segundo Marcia é: no primeiro ano da loja assuma o comando. As horas livres só virão mesmo após esse período. “É como o primeiro ano de um filho. Você não podei deixar de estar ao lado.”

Cristina Ciavaglia, 39 anos, enfrentou o desafio de ser franqueada e ter seu cotidiano modificado. Ela tem um filho de 5 anos e é franqueada da Uno & Due desde outubro de 2006. Antes trabalhava como auditora em grandes empresas. “Procurei uma marca por pelo menos um ano e queria alimentação porque achei que o retorno seria melhor”, lembra.

Ela diz que ja sabia que iria trabalhar bem mais que antes, “mas agora tenho flexibilidade de horário, coisa que antes não tinha.” Cristiane tem nove funcionários e dois estagiários. E já pensa em expandir, comprando mais unidades da rede.

CAMARÃO

Com 75 unidades no Brasil todo, a rede Vivenda do Camarão começou a vender franquias em 1997, mas a fundação da empresa aconteceu em 1984. A Grande São Paulo é a região de maior concentração das unidades, mas há presença nas grandes capitais.

O diretor da emmpresa, Rodrigo Perri, explica que há dois conceitos de loja: praça de alimentação de shoppings, com 35 m² a 50 m²; e de rua, com mesas internas e garçons, cerca de 150 m².

“Não exigimos conhecimento nem de franquia, nem de alimentação”, ressalta Perri. São 30 dias de treinamento teórico e prático. O público, diz ele, em sua maioria é da classe B, e um tanto de A e C.

A rede pensa em expandir-se para o exterior, segundo Perri, citando Méxio e Estados Unidos.

   


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