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Faltam bons profissionais de média gerência, diz pesquisa
Só cerca de 11% de 1.500 analisados mostraram capacidade para liderança plena
Rafael Sigollo
A falta de mão-de-obra especializada é um problema grave e já conhecido no Brasil e no mundo. Entretanto, não são apenas as funções de nível técnico que sofrem com a escassez de profissionais.
Também faltam gerentes para comandar as equipes e grande parte dos cargos de média liderança acaba nas mãos de pessoas despreparadas. Isso se deve principalmente à dificuldade que eles têm de lidar com pessoas.
É o que se denota de pesquisa realizada pelo Grupo Bridge, consultoria especializada em treinamento e desenvolvimento de grupos. O estudo analisou 1.500 profissionais nessa função (confira quadro ao lado) e chegou a um resultado alarmante: apenas 11,54% foram classificados como capazes de exercer a liderança plenamente.
“O cenário mudou nos últimos dez anos. O perfil da média liderança deixou de ser o técnico para ser o de alguém que cuida de pessoas, que sabe administrar conflitos, avaliar competências e performance, delegar responsabilidades e planejar ações”, diz o sócio-diretor do Grupo Bridge, Celso Braga.
O problema, de acordo com ele, é que as universidades ainda não se adequaram à nova realidade do mercado de trabalho, prendendo-se muito à parte técnica e teórica. “Se você pega por exemplo um engenheiro recém-formado e o coloca para conduzir uma reunião, o resultado dificilmente vai ser satisfatório”
Além disso, com a economia aquecida, é cada vez maior a rotatividade e a disputa por bons profissionais no mercado. “A maioria das grandes empresas sabe que precisa preparar e reter seus talentos para não ocorrer esse déficit. Caso contrário, haverá um impacto negativo na própria organização”, diz Marcelo Mariaca, presidente da consultoria Mariaca.
O treinamento interno dos que ocupam cargos de média liderança já é uma realidade. Braga revela que entre 70 % a 80% do orçamento das empresas destinado ao desenvolvimento dos funcionários são destinados aos líderes. “Afinal, ele acaba formando as outras pessoas; tem o papel de educador”, diz.
SOLUÇÃO
Mas essa é uma solução a médio prazo, uma vez que esse tipo de treinamento atualmente costuma durar entre 8 e 14 meses. A tendência, por esse motivo, é que as empresas ainda passem os próximos dois anos com dificuldades em preencher cargos de gerência, até se iniciar um novo ciclo.
Os que assumem cargos desse tipo já totalmente preparados trazem a habilidade de lidar com pessoas de experiências particulares e possuem naturalmente características de líder.
“Os líderes maiores, os CEOs, precisam ter essa visão de futuro, de como desenvolver os líderes. Não podemos pensar apenas nos desafios do próximo mês, mas dos próximos cinco anos”, ressalta Mariaca.
O sócio-diretor do Grupo Bridge revela que a escassez é tanta que para uma empresa conseguir contratar um gerente qualificado hoje levam-se até 180 dias. Como o problema é mundial, o quadro por aqui se agrava com a saída de muitos profissionais para o exterior. “Índia, China e México, por exemplo, são países que recrutam muitos brasileiros com cargos de média liderança”, diz Celso Braga.
Para os que ocupam posição de gerência, o especialista recomenda buscar cursos de especialização como pós-graduação e MBA voltados para gestão. “Pessoas não são o problema dos gerentes, mas a solução”, enfatiza.
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