estadao.com.br Estadao Jornal da Tarde Agencia Estado Eldorado AM Eldorado FM iLocal ZAP
   

Julio Mesquita
(1891-1927)
DIRETOR:
Ruy Mesquita

 
 
PARTICIPAÇÃO
ESPECIAIS
MERCADOS/FUNDOS
 
 
  
 
      Busca local   
Domingo, 9 março de 2008   edições anteriores
OPORTUNIDADES
 ÍNDICE GERAL | ÍNDICE DA EDITORIA | ANTERIOR | PRÓXIMA
  Educação a distância

Roberto Macedo*

A educação a distância (EAD) cresce no Brasil. Isso não surpreende, pois os avanços tecnológicos que abriram espaço para essa alternativa encontraram no nosso país condições muito propícias para o desenvolvimento da EAD. Soube de instituições que já têm algumas dezenas de milhares de alunos em cursos desse tipo.

Mas, como outras formas de educação, seu sucesso como tal só será assegurado se tanto do lado da oferta como da demanda a EAD for dotada de características que evitem sua degeneração em fábricas de diplomas.

Pode até haver interessados em obter canudos produzidos dessa forma, mas quem realmente quiser aprender via EAD também precisa ter um comportamento adequado à natureza desse ensino.

Vamos mostrar por que o Brasil é um campo propício para a EAD e quais características de seus provedores, estudantes e patrocinadores são indispensáveis para que esse sistema tenha sucesso no seu objetivo educacional. E, assim, não degenere em ADE, ou seja, à distância da educação.

BRASIL PRECISA

Com sua enorme extensão territorial, quase 200 milhões de habitantes, baixa densidade demográfica em várias regiões, e enormes carências educacionais, o Brasil tem um potencial muito grande para o desenvolvimento da EAD.

Nessas carências se incluem algumas típicas do País, como o baixo nível de escolaridade, além de outras comuns também em países mais avançados, como as necessidades de educação continuada, de cursos de especialização de nível superior ou não, e de programas de treinamento para funções específicas.

Assim, não é surpresa que a EAD esteja se expandido no Brasil, facilitada pelo uso da Internet. Lembro-me de cursos e outros eventos de EAD que exigiam a presença de professores e alunos em salas específicas de empresas como a Embratel, interligadas por sinais transmitidos por satélites e antenas parabólicas.

Creio que esses ambientes ainda existem, mas se a EAD continuasse dependendo só deles não iria muito longe.

Confesso que já fui meio cético quanto à eficácia da EAD, em particular pela dificuldade de cobrar desempenho do aluno, pois como economista observo muito as relações entre benefícios e custos, e entre investimentos e resultados. E tenho também a experiência de professor, pois olho no olho já peguei vários coladores. Imagine-se o que pode ocorrer à distância, inclusive com participação de terceiros. Um risco adicional é a proliferação de cursos fracos no seu conteúdo e frouxos na aferição de resultados.

Contudo, acompanhei o caso de uma pessoa do Brasil que se matriculou num curso 'on-line' de especialização na Universidade de Barcelona, oferecido internacionalmente. Vi que as lições recebidas para estudo eram de alto nível, e a cada uma havia a cobrança de aprendizado, por meio de perguntas enviadas para respostas pelo estudante, ou com este preparando um ensaio sobre os temas cobertos pelas lições.

Depois, vinham comentários e correções por parte dos professores. Além disso, perto do seu final o curso exigiu presença do aluno na própria universidade por duas semanas, com novos ensinamentos e cobranças, mais um trabalho de conclusão de curso ao final desse período. Entre outras finalidades, essa presença obviamente tinha o propósito de confirmar se a pessoa que tomava o curso na ponta da linha e cumpria suas tarefas era a mesma que se apresentou nessa fase presencial e mostrou desempenho equivalente.

EAD E NÃO ADE

Como dissemos, programas de EAD podem ficar à distância da educação. Instituições que os oferecem podem lucrar com um mercado que nem sempre valoriza a qualidade, mas apenas o diploma. Assim, a ética precisa estar nos dois lados da linha, pois mesmo a fase presencial pode virar uma fraude num e/ou noutro lado. Patrocinadores de cursos, como os de treinamento para seus empregados, precisam ficar atentos para não tomar gato por lebre, enganado pelo prestador de serviço e/ou pelos que receberam um 'treinamento' que não passou de um passeio 'on-line'.





*Roberto Macedo, economista (USP), com doutorado pela Universidade Harvard (EUA), é professor, consultor econômico e na área educacional, e autor do livro Seu Diploma, Sua Prancha - Como Escolher a Profissão e Surfar no Mercado de Trabalho (São Paulo: Saraiva, 1998). Esta coluna é publicada no segundo e quarto domingos de cada mês

   


    Links Patrocinados
  Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP
  Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.