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Domingo, 16 setembro de 2007   edições anteriores
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  É preciso mostrar eficiência e resultados

Gestor da área deve ter paixão por pessoas e visão generalista

Rafael Sigollo

Responsabilidade social não é uma moda, mas um processo contínuo e indispensável para a própria sobrevivência do planeta. Esse pensamento já está inserido na sociedade e é também realidade em grande parte das empresas, que investem cada vez mais no chamado terceiro setor.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a área movimenta cerca de R$ 4,7 bilhões por ano no País e esse valor tende a crescer ainda mais. Isso significa emprego e oportunidades para gestores e gerentes, que precisam comandar o desenvolvimento e a eficiência dos projetos criados por fundações e institutos de interesse público.

“Estamos passando por um processo de profissionalização em relação ao terceiro setor, especialmente nas Organizações Não-Governamentais (ONGs) e ações sociais de empresas privadas”, explica o coordenador do Curso Avançado de Investimento Social Privado da ESPM, Ismael Rocha Jr.

Criado este ano em parceria com o Grupo de Instituições, Fundações e Empresas (Gife) o curso tem 240 horas de duração, completados em uma ano e a próxima turma está prevista para março de 2008.

PESSOAS

O terceiro setor é feito de parcerias e, embora não tenha fins lucrativos ou comerciais, precisa mostrar resultados.

É imprescindível, portanto, que um profissional qualificado esteja à frente dos projetos, garantindo uma boa gestão com relatórios eficientes, transparência, administração dos recursos, visibilidade, divulgação e ganhos.

Para cuidar dos investimentos sociais privados, entretanto, o gerente deve estar alinhado com a linguagem própria da área - legislação, logística, dinâmica, vocabulário. Daí o aumento de cursos nesse sentido.

Segundo Rocha, quem deseja atuar no terceiro setor deve possuir duas características fundamentais: gostar de gente e conseguir enxergar o todo.

“O profissional trabalhará sempre para melhorar a vida das pessoas e, durante o processo, terá de falar diretamente com imprensa, financiadores, voluntários, governo e sociedade”, afirma.

RESULTADOS

O bom relacionamento com todos esses públicos é fundamental hoje para que a empresa tenha legitimidade e possa continuar desenvolvendo suas atividades.

“É importante que nossos vizinhos e todos aqueles com quem temos algum tipo de ligação vejam que nossa empresa é responsável e comprometida também com os valores e interesses da comunidade”, afirma o diretor de Assuntos Corporativos da multinacional Bridgestone, Raul Viana.

A empresa, fabricante de pneus, desenvolve ações sociais e projetos bem estruturados para públicos diversos como o Velocidade Bridgestone de Natação, Patrocínio ao Clube dos Paraplégicos de São Paulo, Ação Voluntária Bridgestone e Circuito Cênico Bridgestone.

“Os projetos sociais exigem o mesmo planejamento e estratégias que os comerciais da organização. Há envolvimento direto da presidência, temos metas e precisamos mostrar resultados”, revela a supervisora de assuntos corporativos da empresa, Thais Thomaz.

Até pouco tempo atrás a principal preocupação no terceiro setor era a captação de recursos. Nos últimos anos, entretanto, o desenvolvimento e a boa gestão dos projetos começaram a ser levados mais a sério.

A opinião é da líder do Project Management Institute (PMI) no terceiro setor, Carmem Egert. “Hoje se tem a consciência de que sem gerenciamento profissional esses recursos serão mal aproveitados e nenhum projeto será bem-sucedido”, diz.

   


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