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Todos contra os gravadores digitais
Mercado brasileiro vive um verdadeiro boom de produtos que gravam voz; descubra qual deles foi feito para você
: Bruno Galo
Imagine que você vá até uma famosa loja de eletrônicos em busca de um gravador digital de voz. Simpático, o atendente lhe informa que eles não trabalham mais com esse tipo de produto e sugere que você adquira um MP3 player que, além de tocar música e servir como pen drive, também grava voz digitalmente. Pois é o que acontecerá se você for até a Fnac em busca de um gravador digital de voz.
Com a proliferação dos equipamentos capazes de gravar voz, com destaque para os práticos e baratos toca-MP3, muitas pessoas passaram a fazer uso desses aparelhinhos no trabalho, na escola ou nas atividades do dia-a-dia.
Gente como a estudante de psicologia Monique Beloto Baldin, de 27 anos, que possui um modelo da Foston de 1 GB. 'Comprei-o no final de 2006 especialmente para gravar as aulas da faculdade', diz. Ou o jornalista Flávio Perez, de 26 anos, da Rádio Eldorado, que desde o final do ano passado usa o seu iPod nano de 4GB, com um adaptador MicroMemo da XtremeMac (um microfone portátil e flexível com um alto-falante embutido), para fazer gravações. 'Faço entrevistas e reportagens com qualidade de estúdio, mesmo em casa', conta.
Boa parte dos tocadores hoje em dia possui gravador de voz. A exceção fica para o famoso player da Apple. Aos donos do MP3 player mais vendido do mundo, que assim como Perez querem utilizá-lo para gravar voz, só há uma opção: adquirir um adaptador. Outras opções disponíveis são o iTalk, da Griffin, e o TuneTalk, da Belkin.
Além dos quase onipresentes toca-MP3, inúmeros celulares e smartphones, entre outras traquitanas como até mesmo máquinas fotográficas, incorporaram a função de gravação de voz.
O gerente de operações do Shopping Center Penha, na zona leste de São Paulo, Roberto Lasman, de 43 anos, por exemplo, não desgruda do seu Nextel I560 da Motorola. 'Quando ando pelo shopping, dirijo ou até mesmo em casa, sempre que vejo ou lembro de alguma coisa, rapidamente gravo um lembrete. Assim não esqueço de nada', afirma. E conclui: 'É muito rápido e prático.'
E OS GRAVADORES?
Diante de tantas opções a pergunta que fica é: será que ainda vale a pena comprar um gravador digital de voz? Ou seja, um produto que, salvo raras exceções, apenas grava voz?
Antes de continuar, uma observação importante. Há basicamente dois tipos desse equipamento. Os portáteis usados para gravar lembretes, textos, entrevistas, aulas, etc., em suma, áudios que não serão ouvidos por terceiros. E os profissionais, usados por jornalistas, músicos e pessoas que precisam exibir o conteúdo gravado.
E quanto aos preços? Os portáteis estão em uma faixa entre R$ 200 e R$ 600, dependendo da capacidade de armazenamento, que pode variar de 32 MB (megabytes) até 2 GB (gigabytes), e das funções. Já os profissionais, como o Marantz PMD660 e o M-Audio MicroTrack 24/96, variam entre R$ 1.250 e R$ 1.750.
Uma característica comum entre as pessoas que pretendem adquirir um gravador digital de voz é a de superestimar o produto e acreditar que a qualidade da gravação será extremamente clara. Algo que não acontece, por exemplo, no momento da compra de um toca-MP3.
Infelizmente, em virtude do tipo de microfone usado, quase todos os portáteis captam muito ruído. A dica, ao adquirir um desses aparelhinhos, é comprar também um microfone redutor de ruído ou direcional. Só assim você evita a decepção experimentada pela assistente social Márcia Carvalho, de 57 anos, ao usar um gravador RR-US430 da Panasonic. 'A qualidade era muito ruim e o microfone pegava muito ruído', diz.
IPHONE
O administrador Rafael Vido, de 25 anos, comprou em 2004 um modelo portátil da Olympus, o VN-1800, mas logo desistiu do aparelhinho por achá-lo muito trabalhoso. 'Para baixar os arquivos precisava de um software específico. Além disso, na hora de gravar havia diversas seleções a serem feitas', afirmou. 'Era muita complicação só para um gravador.'
Em 2006, Vido adquiriu um smartphone HTC Touch e, encantado com a qualidade, passou a usá-lo para gravar as aulas de seu curso de pós-graduação. 'Na hora de gravar, era só apertar um botão. Depois, para baixar a gravação no computador, bastava espetar o USB e pronto.' Além da praticidade do novo aparelho, o administrador destaca ainda o lado multimídia do celular. 'Esse conceito de ter tudo em uma coisa só me agrada', diz.
No final do ano passado, ele comprou um iPhone, que, assim como seu 'irmão' iPod, não possui gravador de voz. Por isso o administrador decidiu instalar nele o software Vnotes, que permite gravar reuniões e lembretes com o celular da Apple.
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