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  'Eu sou um jornalista inusitado'

Famoso na TV, Tas agora se dedica full-time à web, onde posta seus vídeos; hoje ele está no carnaval da Bahia

Rodrigo Martins

Enquanto você, leitor, aproveita a merecida folga do carnaval, ele está ralando. Ralando e procurando onde se conectar. Tudo bem que a labuta é em Salvador, junto à ferveção baiana. Mas não deixa de ser trabalho. 'Estou aqui gravando reportagens sobre comportamento e postando no blog', conta. 'E sempre tentando achar um lugar para estar online e mandar o material: seja no camarote dos artistas, no hotel... O importante é não ficar fora da web.'

Estar online a qualquer hora e lugar virou rotina para Marcelo Tas desde que a internet se tornou seu principal ganha-pão. Multimídia - 'eu não me defino assim, é você quem está dizendo', brinca -, ele já fez de tudo: TV, rádio, jornal, revista e internet. 'Acho que a melhor palavra que me descreve é comunicador', opina. 'Sou jornalista, mas não sou normal. Eu sou um jornalista inusitado. Gosto de me comunicar por meio de várias mídias. Depende do conteúdo.'

Desde o ano passado, Tas se comunica primordialmente pela rede mundial. É lá que ele posta vídeos, textos, fotos e o que mais lhe der na telha. Por conta do Blog do Tas (www.blogdotas.com.br), ele mudou a sua rotina. Quando acorda publica um post. Quando está na rua publica um post. Até quando está em férias ele não resiste e também publica um post. 'Fico online em qualquer canto', diz. 'As pessoas me cobram. Se não tem nada de novo às 9 da manhã, por exemplo, já tem mensagens: 'pô, não vai trabalhar não?''

O jornalista diz que não tem preferência por nenhuma mídia, mas aponta diferenças na internet que, diz, o 'fazem feliz'. 'O blog era uma brincadeira que começou em 2003. Cresceu e virou o meu trabalho, pelo qual me sustento', conta. 'A principal diferença é na comunicação. Na TV, você chega até a pessoa, ela está zapeando e de repente pára para te ver, mesmo que não goste. Já na web, o leitor acessa porque gosta. E ele se comunica comigo. Eu respondo para ele.'

Essa interação o obriga, muitas vezes, a escrever sobre temas que não pretendia inicialmente. 'As pessoas me pedem para tratar de determinados assuntos de política, por exemplo. Na verdade, elas querem ver como interpreto os fatos que estão nos jornais', diz. Para Tas, muitos blogs estão se tornando referência justamente por esse motivo. Sem citar nomes de blogueiros 'para não causar injustiças', ele diz que estamos em um 'momento rico', com muita gente produzindo informação.

'Na minha época a minha internet era o vídeo, que estava surgindo', diz Tas, que se formou em jornalismo e em engenharia no início da década de 80 e criou a produtora experimental Olhar Eletrônico ao lado de colegas como o hoje famoso cineasta Fernando Meirelles, então recém-formado em arquitetura. A produtora deu origem inicialmente a um programa na TV Gazeta e, a partir daí, ele não saiu mais da televisão. Até agora. 'Mas faço a minha TV na internet', esclarece. 'Não deixa de ser televisão.'

Para ele, o que a rede mundial permite hoje é que os jovens experimentem mais e possam mostrar mais seu trabalho. 'Se o cara quiser ter um blog, ele tem. Se quiser fazer a sua TV, ele faz. Não é preciso ficar implorando para o dono de uma emissora ou de um jornal. A internet já é uma realidade, que até dá dinheiro. E tem uma molecada produzindo muito e bem. Há muita porcaria, mas nessas eu nem presto atenção.'

Entre os bookmarks de seu navegador estão cadastrados mais de cem blogs que ele acessa diariamente. 'Tenho contato mais virtual com a blogosfera. Acompanho os blogs, mas não comento. Eles me procuram muito e me tratam muito bem', diz ele, que no ano passado ganhou o prêmio The BOBs como o melhor blog brasileiro segundo o voto popular. 'Acho que são todos alunos do professor Tibúrcio (personagem de Tas no programa Rá-Tim-Bum, da TV Cultura)', brinca.

Essa fama justifica que Tas tenha sido convidado para participar da Campus Party, evento que pretende reunir na semana que vem 3 mil jovens conectados por sete dias na Bienal, no Parque do Ibirapuera. Ele irá participar do debate chamado 'Blogosfera e o Futuro das Mídias Tradicionais'. 'Será interessante me reunir aos 'nerds faixa preta' que estarão lá. Não vai dar para participar dos sete dias, mas ficarei o tempo que der', diz.

Para Tas, um 'nerd' assumido - 'se gostar de tecnologia é ser nerd, então eu sou mesmo' - que já foi até programador de computador nos tempos da faculdade, a Campus Party pode ser um local para as pessoas perderem o preconceito. 'Ao contrário do que muitos pensam, as pessoas que vivem na web são hiperbaladeiras, gostam de contato ao vivo... E eu vou estar lá, também com a minha versão 'nerd faixa preta.''

   


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