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  Um banquinho, um violão e um laptop

Cantora leva notebook para o centro do palco no show A Vida é Perto, em cartaz até 26 de janeiro em Ipanema, no Rio

Otávio Dias

Quem disse que, para ser hi-tech, um show precisa de toneladas de equipamentos, milhares de dólares e uma multidão de técnicos? Em cartaz no Rio até 27 de janeiro, a cantora carioca Olivia Byington mostra que tecnologia rima com simplicidade, no melhor estilo um banquinho, um violão e... um laptop.

É isso mesmo: no show A Vida é Perto, de quinta a domingo na Casa de Cultura Laura Alvim, pequeno teatro de frente para o mar em Ipanema, Olivia conquista o público com apenas três armas: sua bela voz, sonora e ao mesmo tempo cristalina, um violão pra lá de moderno e seu inseparável notebook.

“No show, o notebook é uma janela para o mundo e uma porta aberta para a improvisação. A cada dia, busco alguma coisa nova na internet e divido com o público”, conta. Um exemplo: 13 de dezembro foi aniversário do saudoso Luiz Gonzaga. No YouTube, Olivia encontrou um vídeo histórico do rei do baião com Dominguinhos. Como o teatro é bem pequeno, colocou o vídeo para rolar na telinha e mostrou para o público.

Mas não é só. Em um dos momentos mais emocionantes do show, ela faz um duo com ninguém mais ninguém menos que Yves Montand. Bota para tocar no laptop uma gravação do clássico “Les Feuilles Mortes”, parte declamado parte cantado pelo ícone da canção francesa. Chega a hora do refrão, e Olivia, sempre voz e violão, entra com sua versão para o tema.

No final, é a vez do nosso Seu Jorge cantar o samba “Na Ponta dos Pés” (dela e Tiago Torres da Silva) com Olivia, ele no notebook, ela ao vivo e a cores. São truques simples, mas que funcionam muito bem no show de caráter intimista.

“Quis reproduzir no palco a sensação de bem-estar de tocar e cantar com meus amigos e meus filhos em casa aqui no Rio, à sombra da Pedra da Gávea, com toda aquela natureza maravilhosa em volta”, conta. “Por isso, trouxe meus livros, minhas velas, meu violão e meu notebook, que está sempre ligado e conectado com o mundo.”

Olivia se cansou de show grande, sinônimo de muita complicação e custos estratosféricos. “A gente ensaia pra caramba, se desgasta com produção, banda, etc., para apresentar duas ou três vezes em casas de show enormes e carérrimas. Queria fazer temporada, correr o Brasil, o mundo.”

“Morria de inveja das minhas amigas atrizes que têm feito sucesso com monólogos. Pensei: por que não encarar o palco sozinha?”, diz. Começou a estudar violão novamente, tomou coragem e levou sua sala para o porão do Laura Alvim.

No show, ela alterna músicas de várias épocas de sua carreira - segundo a Wikipedia, a primeira gravação de Olivia, Corra o Risco, é de 1978, então no ano que entra ela comemora três décadas de MPB -, com gostosas histórias pessoais e as novidades de seu último disco: Olivia Byington, recém-lançado pela Biscoito Fino.

O álbum, que saiu primeiro em Portugal, é mais uma prova de que ela está mesmo numa fase especial: é a primeira vez que Olivia assina a autoria de todas as músicas, nove delas em parceria com o letrista português Tiago Torres da Silva. Claro que boa parte dessa colaboração Rio-Lisboa se deu via internet. “Eu mando as músicas, ele devolve as letras e assim vai”, conta a cantora e compositora, que nos últimos anos passou boa parte do tempo na Europa.

Agora ela se anima mesmo é ao falar de sua página no site MySpace - www.myspace.com/oliviabyington - e das novas perspectivas que a internet está abrindo em sua carreira. Maior rede de relacionamentos do mundo e especializada em música, o MySpace acaba de estrear sua versão brasileira.

“Através do MySpace, dialogo com gente do mundo todo. Ouço muita música que não conhecia, faço novos amigos músicos em vários países e divulgo o meu trabalho sem a intermediação de empresário, gravadora, essas coisas”, conta.

Olivia não está nem aí para previsões apocalípticas do tipo “a internet vai acabar com a música profissional”. “Está havendo uma democratização e uma proliferação enorme. Acho que haverá uma ampliação do mercado da música, só não sabemos exatamente como”, diz.

“Nunca vendi milhões de discos, não estou muito preocupada. Por outro lado, a internet ajuda a divulgar meus shows no Brasil e no mundo”, afirma.

Nem mesmo a troca de músicas pela rede, por meio de programas como eMule e Soulseek, tira o sono de Olivia. “Tem vários discos ‘cults’ meus, como Música (1984) e o que fiz com João Carlos Assis Brasil (1990), que estão fora de catálogo. Mas estão lá no eMule. Como posso achar ruim se alguém baixa de lá?”, pergunta. “O cara que baixa música em geral é um apaixonado. Pode não ter dinheiro para comprar o CD, mas divulga o trabalho, vai ao show. Acho isso fantástico.”

Aos 48 anos completados hoje, Olivia Byington está mais confiante do que nunca em sua música. “Acho que, com a internet, muita coisa boa vai acontecer. E estou totalmente metida nessa fogueira.”

(SERVIÇO)OLIVIA BYINGTON EM A VIDA É PERTO

ONDE | Casa de Cultura Laura Alvim

ENDEREÇO | Av. Vieira Souto, 176, Ipanema, Rio. Telefones: (0-xx-21) 2299-5584/5583

QUANDO | 5ª a sábado, 21h, domingo, 20h. Até 27 de janeiro. De R$ 30 a R$ 40 (inteira).

SITE | www.myspace.com/oliviabyington

   


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