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Julio Mesquita
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  Espaços para teses online

O professor da Universidade de Princeton Robert Darnton defende a publicação de monografias online como a saída mais saudável para a crise financeira das editoras universitárias e a redução do orçamento para monografias nas bibliotecas norte-americanas.

Para ele, programas como Gutenberg-e (site) e History E-Book (site) combatem o preconceito que ainda existe nas universidades contra monografias online. E definem os padrões para publicações de alta qualidade.

Segundo Darnton, com o aumento do preço dos periódicos, principalmente os científicos, as bibliotecas dos EUA, que antigamente dedicavam metade do orçamento para monografias, agora investem de 10% a 20% do dinheiro disponível.

Se antes, toda a vez que uma editora universitária decidisse publicar uma monografia no país ela poderia contar com a venda de 800 cópias para bibliotecas, hoje o número caiu para cerca de 200 exemplares.

Não é a toa que doutores recém-formados têm mais dificuldade em publicar suas teses. E, se não publicarem, eles não crescem na profissão, ficam estagnados como professores adjuntos ou palestrantes. “No caso de história, uma disciplina em que a crise da publicação acadêmica é particularmente aguda, a solução do e-book é especialmente interessante.”

É nesse ponto que Darnton identifica nos projetos de publicação de monografias online a possibilidade de ajudar a nova geração de doutores.

O Gutenberg-e - colaboração da editora da Universidade de Columbia e da Associação Histórica Americana com o apoio da Fundação Andrew W. Mellon - publica cerca de 34 monografias por ano e premia as melhores.

Já o History E-book - colaboração de mais de 75 editoras com a biblioteca da faculdade de Michigan - publica gratuitamente cerca de 350 livros de alta qualidade por ano na área de humanas.

Esse projeto já inclui cerca de 1.400 livros eletrônicos, dos quais 300 estão disponíveis para impressão por demanda.

Darnton diz que, embora esses projetos estabeleçam padrões altos, ainda é necessário vencer barreiras para a popularização da publicação através de meios eletrônicos. E também que é preciso explorar melhor o uso de som, de imagem e a capacidade de permitir caminhos novos para a leitura de um texto em livros eletrônicos.

“Quando essas questões forem resolvidas, o livro eletrônico pode ser produzido e distribuído de maneira econômica, reduzindo o custo de produção para editoras e o espaço de prateleira nas bibliotecas”, pondera o professor.

“Agora só falta vencer o preconceito do e-book nas universidades. E veteranos como eu temos um papel importante nessa jornada.”

   


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