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  "O mundo digital nos deu liberdade"

Dupla usa a tecnologia para fazer música experimental e para tomar as rédeas de sua carreira na independência

Guilherme Werneck

Depois de mais de 25 anos de estrada, o Duofel - um dos grupos mais importantes no cenário da música instrumental brasileira - decidiu que havia chegado a hora de buscar a independência e controlar todos os rumos de sua carreira.

Para conquistar a alforria dos modos tradicionais de gravar, comercializar e promover música, o duo formado por Luiz Bueno e Fernando Melo usou apenas uma arma: a tecnologia.

"O mundo digital nos deu liberdade para criar não só em termos de música, como em termos de mercado", diz Luiz Bueno, a metade falante do Duofel.

Isso porque, de seu escritório-estúdio, localizado a poucos metros do Parque da Água Branca, em São Paulo, a dupla não só ensaia e registra suas idéias musicais como gerencia a gravadora Fine Music, criada apenas para dar vazão aos lançamentos do Duofel, uma editora de música que hoje detém todos os direitos das composições da dupla, os sites da banda e da gravadora, além de toda a produção de shows.

"Com a internet, conseguimos estar mais próximos dos nossos fãs. Começamos a usar idéias de marketing direto para estabelecer uma relação com o nosso público via e-mail, coisa que quase ninguém faz hoje", conta Bueno.

Depois de negociar com as gravadoras por onde passaram e com as editoras que detinham os direitos de suas músicas, o Duofel agora controla todos os usos de suas composições. "Isso faz com que hoje nós possamos licenciar todas as nossas músicas dentro e fora do Brasil. Com isso, o nosso catálogo está disponível para venda pela internet na loja virtual do iTunes, fora do Brasil, e no iMusica por aqui. Também fizemos uma parceria com o (site de vendas online) Submarino para vender nossos discos", diz Bueno.

"O melhor é que posso também gerenciar as coisas a distância. Quando estou viajando ou fora do estúdio, uso meu celular para ver meus e-mails e resolver problemas", acrescenta.

Arquiteto de formação, foi Bueno quem fez a planta baixa dessa mudança, movido por sua paixão por tecnologia. Mas não pense que o estúdio do Duofel é cheio de computadores. Apenas três máquinas, todas da Apple, e um Protools (software profissional de produção de música) dão conta de tudo que tem de ser feito no quartel-general do Duofel.

"Sempre gostei de equipamentos tecnológicos. Mas tenho mania de esperar sempre a segunda geração de uma nova tecnologia. Foi assim com meu iPod e será assim com o meu próximo notebook. Estou louco para comprar um com dualcore (com processador de dois núcleos). Só quero esperar ter todos os softwares desenvolvidos para esses novos modelos."

Hoje, Bueno leva seu Powerbook G4 equipado com Protools a todos os lugares, inclusive aos shows. " Plugo microfones ou os instrumentos e gravo as apresentações", diz Bueno que, nos últimos anos, gravou trilhas para cinema e para documentários de televisão usando apenas esse computador.

GUINADA ELETRÔNICA

O fascínio pela tecnologia acabou até por contaminar a sonoridade "clássica" do Duofel.

Conhecida principalmente pelo diálogo entre instrumentos de corda e pela experimentação com afinações próprias, que ampliam o registro dos instrumentos, agora a dupla acaba de produzir um disco de música eletrônica, que será lançado em breve. O disco é produzido por Manoel Vanni e Franco Junior, do grupo eletrônico M4J, e tem uma música produzida pelo DJ Patife.

"Nós ousamos porque gostamos de fazer uma música atual. Na nossa percepção, a eletrônica usa canções antigas para fazer uma música nova. Queríamos mudar isso e, em vez de samples, usamos nossas composições."

No disco, que o Link ouviu em primeira mão, o Duofel experimenta com diferentes estilos de eletrônica, da house music ao drum'n'bass.

"Criamos samples inusitados. No estúdio, os produtores pegam essas coisas que nós gravamos e as transformam utilizando plugins. Assim, o som de um violão de aço acaba parecendo uma guitarra", conta Bueno.

Essa nova cara do Duofel já pode ser vista nos shows. Em suas últimas apresentações, a dupla leva um iPod com as bases pré-gravadas. "Deixo o iPod no 'stand by', dou um toque nele e nós saímos tocando por cima."

   


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