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Domingo, 16 novembro de 2008   edições anteriores
IMÓVEIS
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  Estrutura de cidades próximas é atrativa

Cresce opção por trabalhar em SP e morar em Jundiaí ou Sorocaba

Leandro Costa

Já há algum tempo o mercado imobiliário do interior paulista vem ganhando mais e mais destaque. Principalmente as cidades situadas próximo às rodovias Anhangüera e Bandeirantes e no Vale do Paraíba, como São José dos Campos, Sorocaba, Jundiaí e Campinas, pouco distantes da capital.

De modo geral, segundo as incorporadoras e as diretorias regionais do Sindicato da Habitação (Secovi), as condições oferecidas nessas regiões são bastante similares de cidade para cidade. Essas localidades passaram, na última década, por um forte processo de industrialização. Várias empresas nacionais e multinacionais mudaram para a região, o que ajudou a fortalecer o desenvolvimento dessas cidades, que passaram a ter infra-estrutura mais robusta, em alguns casos até similar à existente em grandes cidades como São Paulo. Esse é, por exemplo, o caso de Campinas.

Esse desenvolvimento veio acompanhado de um crescimento demográfico expressivo, até superior ao registrado na capital. “E não estamos falando de nascimentos”, esclarece o diretor-regional do Secovi em Sorocaba, Flávio Amary. “Aqui, há uma média de uma pessoa por hora vindo morar na cidade. É grande a quantidade de pessoas que migram para cá atraídas pelas empresas que aqui estão”, diz.

Nesse movimento, claro, cresce a procura por imóveis. “Somente entre abril e junho deste ano, foram lançadas em São José dos Campos cerca de 9 mil unidades de casas e apartamentos”, informa Ronaldo Queiroga, diretor-regional do Secovi para a região do Vale do Paraíba, destacando o grande volume de empreendimentos habitacionais novos na cidade de vocação industrial e que agora passa por forte processo de verticalização.

Contudo, engana-se quem pensa que esse crescimento fez com que essas regiões perdessem as vantagens que uma cidade do interior oferece em termos de qualidade de vida, com menos trânsito, ruídos, mais segurança e possibilidade de contato com a natureza. “Ao contrário, a qualidade de vida somou-se a uma estrutura mais bem servida em termos de comércio e serviços ”, frisa a diretora da Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi), entidade que representa o Secovi em Jundiaí, Célia Benassi.

VIAGEM DIÁRIA

E é justamente esse misto entre o bucolismo de interior e o conforto de cidade grande que torna a região tão atrativa na visão do gerente-comercial José Luiz de Aguiar Júnior.

Mesmo trabalhando em São Paulo, ele preferiu viver no interior, mais precisamente em Sumaré, cidade da região metropolitana de Campinas. As vantagens dessa escolha são muitas, diz ele, a começar pelo baixo custo de vida. “Meu salário torna-se ‘ maior’, pois ganho na capital e gasto no interior”.

Ele diz que o preço da casa onde vive há mais de quatro anos com a mulher e o filho também é outro fator preponderante: “Uma casa como esta em que vivo custaria no mínimo o dobro em São Paulo”.

Mas é o sentimento de segurança e a qualidade de vida que realmente pesam: “Além do maior contato com o verde, no interior é possível andar pelas ruas em qualquer horário sem o medo que se tem em São Paulo”.

Aguiar Júnior frisa ainda que o fato de ter de se deslocar por cerca de 100 quilômetros para ir ao trabalho não o incomoda: “Levo cerca de uma hora para chegar ao trabalho. O mesmo tempo que muita gente em São Paulo perde transitando dentro da cidade”.

Segundo especialistas, clientes com o perfil de Aguiar Júnior representam uma boa fatia do público que procura a região. “ Isso pode ser observado pela grande quantidade de ônibus fretados que partem todos os dias para São Paulo”, diz Célia, do Secovi Jundiaí.

“Trata-se de uma tendência que vai aumentar daqui em diante, com a região metropolitana oferecendo condições cada vez mais restritivas no que diz respeito aos preços dos imóveis e muito trânsito”, destaca Mario Giangrande, sócio-diretor construtora e incorporadora BKO.

Marcelo Moralles, diretor de produtos da Tecnisa, arrisca dizer que quase um terço dos clientes que compram imóveis no interior vêm de São Paulo em busca dessa tranqüilidade. “O interior paulista é bem servido de vias expressas e rodovias, que permitem percorrer a distância até a capital levando em média 50 minutos”, explica.

“É praticamente o mesmo tempo, ou até menos, que alguém gasta para ir da zona norte da capital até regiões como a Faria Lima e Berrini”, complementa o diretor da Rossi para a região de Campinas, Valdemar Gargantini.

Para os profissionais do setor, a possível implantação da linha ferroviária para o trem-bala, que fará a ligação de São Paulo com o interior e o Rio de Janeiro, só virá aumentar o interesse por morar fora da capital.

   


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