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Domingo, 18 novembro de 2007   edições anteriores
IMÓVEIS
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  Moradia popular terá três quartos

Após pesquisa junto à população, CDHU mudou formato de unidades que terão até aquecimento solar

Lilian Primi

Há duas semanas, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU) anunciou que passará a construir unidades com três dormitórios. As moradias para baixa renda subsidiadas pelo poder público terão tipologia e cores diferentes, área de serviço coberta, entre outros avanços. Com o novo padrão, o custo sobe 15% em média, de R$ 36 mil para R$ 40 mil. Mas deve corresponder melhor às expectativas da população.

O novo padrão foi avaliado, e plenamente aprovado, em uma pesquisa qualitativa realizada em São Paulo pelo Ibope por encomenda da CDHU. O Estado teve acesso aos resultados, que apontam para uma “casa com chão, quintal e jardim” como o lar ideal.

Além de incluir o terceiro dormitório em 60% das unidades em cada conjunto habitacional, garante revestimento de azulejos nas áreas molhadas e cerâmico nos demais cômodos, laje em toda a casa, área de serviço externa e cobertura para o gás, medidores individuais de água e aquecimento solar.

A pesquisa usou a técnica de discussões em grupo, realizadas entre 1 e 8 de agosto passado em 12 grupos formados por moradores de São Paulo, Campinas, Baixada Santista, Osasco, Guarulhos, Mogi das Cruzes e Presidente Prudente. O perfil era de famílias que vivem em casas ou apartamentos com dois quartos, com dois ou três filhos ou enteados, alguns com irmãos, pais ou sogros vivendo junto ou netos que moram com os avós. Entre os potenciais mutuários, a maioria paga aluguel ou mora “de favor”.

Todos os entrevistados sonham com a casa própria, mas não acreditam ser viável no mercado privado e contam pouco com os sistemas públicos de habitação. Argumentam que “dependem da sorte” no caso da CDHU e se desanimam diante das intermináveis listas nas Cohabs.

As discussões avaliaram a moradia atual (se queixam do tamanho, distribuição dos cômodos, problemas nas redes elétrica e hidráulica, ausência de laje, umidade etc). Todos esperam se mudar um dia. Mesmo os mutuários demonstraram grande decepção com a qualidade do imóvel adquirido: paredes finas, ausência de muros, falta de garagem, iluminação precária, rápida deterioração dos imóveis e da vida social nos conjuntos habitacionais.

Na hora de definir a moradia ideal, surgiu o modelo da casa, por dispensar o gasto com condomínio, além de ser um sinônimo de liberdade e autonomia. Pode ser pequena, mas não deve ter menos que três dormitórios; o segundo banheiro é apontado como um “luxo”, ao lado da churrasqueira e de uma cozinha maior, com espaço para a mesa. Há ainda a expectativa de área de serviço separada da cozinha.

Os desenhos mostram sempre jardim, quintal, pomar e pelo menos um canteiro de hortaliças. O imóvel também recebe acabamento completo (piso e azulejos).

Nas áreas externas, o sonho da população mais simples é ter garagem coberta, muro alto, calçadas, escadas com corrimão, quartinho de despejo, sinalização de trânsito nas ruas, lavanderia e rampas para deficientes físicos.

   


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