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Julio Mesquita
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GUIA CADERNO 2
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  A vez dos radicais livres

Etapa mundial do maior evento de esportes radicais reúne shows, performances e até pista para você (tentar) imitar os ídolos

Juliana Araújo e Thais Caramico

O X Games - maior torneio de esportes radicais do mundo, há 13 anos nos Estados Unidos -, teve sua eliminatória latino-americana realizada três vezes no Rio de Janeiro (2002, 2003 e 2004) até que São Paulo ganhasse uma versão brasileira da competição. O evento, independente do torneio americano, enfim, toma o Sambódromo a partir de hoje (25). “A versão brasileira será a segunda maior do mundo, só perde para a americana”, anuncia Geraldo Rodrigues, presidente da agência esportiva Reunion, que trouxe o X Games ao país. Os 50 mil m2 do Anhembi foram transformados em arena para as performances de 100 atletas de bike, moto e skate. Esta última, aliás, é a modalidade com o maior número de praticantes no país (são 700 mil) e foi escolhida pela primeira vez para participar das olimpíadas, em Pequim. Nas próximas páginas, saiba o que (e quem) ver no local e aprenda quais são os estilos e as manobras para não ficar de fora. Ano que vem, no evento que entrou no calendário turístico e esportivo da cidade, você já vai saber quanta adrenalina vai querer experimentar.

Games Brasil. Anhembi. Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana, 6846- 6000. Hoje (25), sáb. e dom., a partir das 11h. R$ 40/R$50(passaporte para os três dias, R$ 110).

Test drive de malucov


Os primeiros saltos de Bob Burnquist, hoje (25), às 9h30, devem inspirar quem nunca pisou em um skate a se arriscar. No X Games Brasil, o público pode sair da arquibancada para tentar imitar os ídolos em uma pista criada especialmente para os amadores, a Clínica de Street. Em uma half bem menor da que será usada nas provas, desenhada pelo campeão mundial Sandro Dias, qualquer um poderá andar com os skates emprestados pela organização aos aspirantes a atletas radicais (se preferir, você pode levar o seu). A pista também terá obstáculos de ‘street’, aquelas estruturas que imitam elevações e desníveis das ruas. Se a idéia é buscar mais adrenalina, você poderá prender o corpo a uma corda e, no Full Pipe, outra estrutura para skate montada no evento, fazer manobras de até 360° sem medo de cair. Mas, se nenhuma destas atrações parecer emocionante o suficiente, tente o test drive de motos. Quem tem carta de habilitação específica poderá pegar emprestada uma das motos de 100 a 250 cilindradas disponíveis e andar com instrutores da Honda. Só tome cuidado para não se empolgar demais depois de assistir à apresentação de um dos destaques do motocross, o americano Ronnie Renner, às 11h30 de domingo, e sair por aí se arriscando sobre duas rodas. Aos ‘desabilitados’ ou menores de idade, resta se contentar com outras atrações abertas ao público (40 mil pessoas são esperadas para assistir à competição). Também não vai faltar radicalismo nos shows dos grupos CPM 22, amanhã, às 20h, e Charlie Brown Jr., no domingo, às 18h. Na hora das apresentações, o palco vai ganhar ares de pista de skate. Chorão, o ex-skatista do Charlie Brown Jr., não deve deixar de mostrar suas manobras no X Games.

Half-pipe, BMX,vert, trick... O quê?

Para que os nomes estranhos do título não atrapalhem na hora de escolher ao que assistir, é bom entender o que eles significam. Como surgiram nos Estados Unidos, suas siglas, regras e manobras sempre aparecem em inglês. E cada modalidade tem, pelo menos, dois estilos. Ou seja, o skate pode ser vert (de ‘vertical’, praticado na half-pipe, a rampa em formato de U) ou street (com obstáculos de rua, como degraus). Para a bike, conhecida por BMX, o esquema é o mesmo. A half que será usada na competição, de Sandro Dias, deve favorecer os atletas. “Ela é feita de madeira suíça, que ajuda a ganhar velocidade”, explica o skatista. Para conseguir acompanhar as apresentações é bom reconhecer algumas manobras. No skate, o atleta faz um ‘900°’ quando dá dois giros e meio no ar - o que Dias vai tentar fazer. Já na bike, o ‘giro 360°’ (conhecido como ‘backflip’), faz com que o ciclista fique de cabeça para baixo, como em um looping de montanha-russa. Mais radical que isso, só mesmo a ‘kiss of death’, uma ‘bananeira’ que o atleta faz em cima da moto.

Reconhece a maquete?

As pistas da modalidade ‘street’ têm estruturas que imitam obstáculos de rua, como rampas, degraus, valetas e corrimões. No Anhembi, esta característica fica ainda mais evidente na pista projetada por George Rotatori, 43. Ex-skatista, ele se inspirou na Praça Roosevelt, na Praça da Sé e no Vale do Anhangabaú para criar as estruturas . “A intenção não é fazer réplicas”, avisa George para os que não reconhecerem de imediato esses locais.

O céu não é mais o limite

Fora do half-pipe, a competição continua nas alturas em um morro de dez metros de terra construído no Anhembi. Ali, as motos rivalizam em duas modalidades de ‘moto X’ (motocross): a ‘best trick’, de saltos com manobras no ar, e a ‘step up’, que, em vez das manobras, valoriza os saltos - será a primeira vez que o país recebe uma competição do tipo. “Os saltos alcançam até sete metros. É um show emocionante”, conta Geraldo Rodrigues, presidente da agência esportiva Reunion, que trouxe o X Games ao Brasil em parceira com o canal ESPN. Sem nunca ter competido com atletas de nível tão alto, o mato-grossense Gilmar Flores, 27, campeão de duas edições da Copa Brasil Freestyle, quer arriscar uma manobra complicada: a ‘superflip’, mistura de ‘backflip’ (salto mortal) e ‘superman’ (com as mãos no guidão e as pernas soltas, como se estivesse voando).

Fique de olho nesses brasileiros

Quem: Sandro Dias, o Mineirinho, 33
O quê: skate vert
Quando começou: 1986
Nº de X Games: 10 só nos EUA
Pior tombo: “Desloquei o ombro durante uma manobra 900°.”
Fraturas: “Só luxações e torções.”
1ª apresentação: hoje (25), 9h30

Quem: Bob Burnquist, 31
O quê: skate vert
Quando começou: 1995
Nº de X Games: 13 só nos EUA
Pior tombo: “São vários, nem me lembro mais.”
Fraturas: no total, 28
1ª apresentação: hoje (25), 9h30

Quem: Rodrigo Taki, 18
O quê: bike real street
Quando começou: 2003
Nº de X Games: um, no México
Pior tombo: “Quase perdi a clavícula.”
Fraturas: seis no braço, duas nos cotovelos, uma no punho, na cabeça e perna
1ª apresentação: hoje (25), 13h30

Quem: Gilmar Pereira Flores, 27
O quê: moto X best trick
Quando começou: 1999
Nº de X Games: será o primeiro
Pior tombo: “Já caí de costas, ao tentar um backflip.”
Fraturas: uma, na clavícula
1ª apresentação: hoje (25), 18h

Pista dos sonhos

Quando Bob Burnquist está no Brasil, é em São Bernardo do Campo que ele costuma encontrar os amigos para dar um ‘rolê’. “O que mais gosto é poder andar em galera, me divertir e criar o que eu quiser em cima do skate. E a pista de São Bernardo está muito boa agora”, diz Burnquist, referindo-se ao espaço ao lado do Paço Municipal que foi reformado em agosto do ano passado e transformado em um complexo de esportes de ação de 5 mil m2. Batizado de Parque Radical, área para ‘street’, uma half-pipe e até uma pista de ‘dirt’ (bike) são algumas das atrações. Ali, parede de escalada, pista de cooper, tirolesa, enfermaria e lanchonete transformaram o espaço em um dos principais para a prática de esportes do tipo no país. O skatista Sandro Dias, o Mineirinho, nasceu em Santo André e começou a usar a pista em 1986. “Hoje, essa estrutura é profissional e uma das melhores do mundo”, diz. Ali, menores de 13 anos precisam de registro para praticar o esporte. Para participar das aulas de skate, às terças-feiras, é necessário matricular-se na Coordenadoria de Juventude, que abre inscrições no começo de cada semestre. Nos fins de semana, bandas independentes se apresentam por lá.

Av. Armando Ítalo Setti, 65, Centro, São Bernardo do Campo, 4330-0726. 9h/22h (fecha 2ª; 3ª, só abre para as aulas). Grátis.

Aula sem vergonha

Com tantos atletas profissionais, o sambódromo do Anhembi em dia de X Games pode não ser o melhor lugar para aprender a andar de skate, apesar da pista especialmente construída para isto. Sem ter de passar vergonha na frente de experts dos esportes radicais, é possível aprender a andar de skate - sem pagar nada - no Parque da Juventude, no Carandiru. Desde dezembro do ano passado, a Federação Paulista de Skate dá aulas grátis em uma pista de 900 m2, de terça a domingo, das 8h às 18h. Aos alunos, o parque empresta o skate e todo o material de segurança necessário, que inclui joelheiras, munhequeiras, capacetes e cotoveleiras. Na pista também é possível andar de bike e patins in-line.

Av. Zachi Narchi, 1.309, Carandiru, 2251-2706. 6h/21h (área esportiva: 6h/2h; sáb. e dom., 6h/0h). Grátis.

Shopping radical

Para praticar o ‘street’ do skate e o ‘in-line’ dos patins, o Plasma Radical tem uma pista coberta de 3.200 m2, com corrimões e ladeiras de diferentes níveis de dificuldade. Ao lado da pista principal, uma área menor é reservada para ensinar crianças de 3 a 8 anos. Mas os adultos também podem aprender. Em quatro dias, dá para perder o medo das rodinhas com o skate, a cotoveleira, a joelheira e o capacete que eles emprestam.

Shopping Aricanduva. Av. Aricanduva, 5.555, Vila Matilde, 6723-4100. 11h10/23h10 (sáb., abre 10h10; dom., fecha 21h). R$ 5/R$ 10. Quatro aulas: sáb., 8h/10h; dom., 9h/11h. R$ 60.

Professora campeã

Mesmo excluídos da versão brasileira do X Games, os patins in-line aparecem no Anhembi nos pés da recordista feminina de medalhas na competição, Fabíola da Silva. Ela fará uma demonstração da modalidade amanhã, às 13h30. Não está satisfeito? Então visite o Rollerbrothers Mega Rink, onde Fabíola dá aulas de in-line (R$ 100 mensais). O lugar também tem a maior half-pipe da América Latina e pistas de street e hóquei.

R. Eng. Mesquita Sampaio, 807, Morumbi, 5181-3288. 4ª e 5ª, 16h/23h30; 6ª, 16h/4h; sáb., 14h/4h; e dom., 14h/23h30. Homens: R$ 10 (sáb. e dom., R$ 15). Mulheres: R$ 5.

Algum motociclista por aí?


Não faltam motos nas ruas de São Paulo, mas as modalidades sobre duas rodas do X Games são tão incomuns no Brasil, que fica difícil até mesmo encontrar lugares onde praticá-las. “A maioria dos pilotos, que são poucos, treina em sítios e terrenos particulares. Isto sempre foi um problema para se criar um circuito duradouro”, diz o ex-piloto e campeão na categoria Força Livre do Arena Cross,

em 2004, Maurício Arruda - que também é o moderador do principal site do segmento. . Na capital paulista, o Beco é um dos poucos lugares que possui pista específica para o esporte. Lá é possível treinar em trechos de subida e descida. Já nas cidades do interior é mais comum encontrar locais para a prática do motocross. Em Bragança Paulista, a 89km de São Paulo, o ZRacing tem uma pista de 1.500 metros de extensão. A diária custa R$ 100, mas só funciona com hora marcada.

Beco. R. Hasengawa, 420, Itaquera, 6524-2095.
Z Racing. Agendar com José Luis, no telefone 9914-8932.

   


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