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Julio Mesquita
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GUIA CADERNO 2
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  Histórias de bar em bar

Na reabertura do clássico Pandoro, conheça outros oito bares que também revelam um pouco mais da São Paulo de alma boêmia

Enquanto aguarda ansioso a segunda-feira (14) para, após 1 ano, 9 meses e 14 dias, reencontrar o Pandoro aberto novamente, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha dispara uma máxima, digna de um papo de boteco: “O bar é a alegria dos homens, o lugar onde você conhece o caráter de uma cidade. O fechamento de um bar define a decadência de uma região”. “Não recebi convite para a inauguração, mas e daí? Desde quando precisa de convite para ir a um bar”, acredita ele, que verá um Pandoro classudo, repaginado pelo arquiteto João Armentano. Os janelões da fachada foram trocados por grandes vidros, no estilo aquário. Os pisos de lajotinhas vermelhas foram substituídos, as tradicionais cadeiras deram lugar a poltronas chiques de vime e móveis garimpados em antiquários. Também haverá um jardim com paisagismo da década de 50, com mesas e almofadas para acolher os apreciadores de charutos, além de 78 caricaturas de habitués da casa como os publicitários Nizan Guanaes e Washington Olivetto e o prefeito Gilberto Kassab.

Inaugurado em 1952 como Confeitaria Italdoce (mudou o nome para Pandoro em 1953), o bar foi ponto de encontro de profissionais liberais que esticavam a happy hour até altas horas. Apesar das reformas, a alma do bar foi preservada. No balcão, o barman Guilhermino Ribeiro dos Santos, o Guilherme, cuida da feitura do célebre drinque caju amigo - preparado com açúcar, compota de caju, suco concentrado da fruta, gelo, vodca e duas gotas de um ‘segredo’. Na ala gastronômica, as famosas coxinhas creme e os pastéis de siri (que cabem inteirinhos na boca) foram mantidos pelo chef Alexandre Sabóia, que elaborou novas receitas como a empanada de estrogonofe e a lingüiça de cordeiro com coalhada. “Tivemos o cuidado de manter a essência do Pandoro. O bar é um patrimônio da cidade, um lugar freqüentado pelo avô, pelo pai e pelo filho”, conta Edgar Sahyoun, que se associou a João Armentano e outros dois investidores para saudar as dívidas da casa. “O investimento foi alto, mas acreditamos que é um grande negócio, que mexe com a paixão das pessoas”, conclui Sahyoun.

Um evento esperado pelos clientes do bar é o Caju Amigo Day, realizado sempre na véspera de Natal. “No Natal de 2005, preparei cerca de 1.025 drinques. Um senhor saiu andando em cima das cadeiras pensando que fosse o chão”, ri Guilhermino, que já presenciou um strip-tease de uma madame traída pelo marido e um elegante senhor que entornou várias doses de uísque, foi para casa e esqueceu a mulher na mesa. Situações que só acontecem em bares históricos.

Pandoro. Av. Cidade Jardim, 60, Jardim Europa, 12h/1h. A partir de 2ª (14). Cc.: todos.

Papo de boteco
O Pandoro criou a porção de queijo tipo provolone à milanesa, em 1958.
Também inventou o hábito de comer pasteizinhos como petisco.

   


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