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Jeans e tênis: um clássico
Mais um musical da Broadway estréia na cidade com ‘West Side Story’. E você nem vai precisar ir de terno e gravata, ou de longo
Erika Riedel e Pedro Henrique França
Expert em musicais, com 30 anos de experiência, o diretor Jorge Takla foi um dos pioneiros na produção de espetáculos do gênero numa época em que não eram tão difundidos por aqui. Feliz com o resultado alcançado com ‘My Fair Lady’, sua última produção, amanhã ele realiza mais um sonho: a estréia da versão original da peça West Side Story, no Teatro Alfa. “Chegou a hora de apresentarmos os grandes clássicos”, diz.
Inédita no Brasil, a versão nacional do espetáculo foi concebida na Nova York de 1957. Para a época, o espetáculo estaria longe de ser considerado “um clássico”. Na conversa entre o compositor Leonard Bernstein e o coreógrafo Jerome Robbins para conceberem ‘West Side Story’, as idéias se mostravam bem divergentes. Bernstein queria compor uma ópera, enquanto Robbins idealizava coreografar um musical.
No ‘duelo’, Robbins saiu vitorioso e o musical estreou na Broadway com letras de Stephen Sondheim, texto de Arthur Laurents e uma partitura que exigia dos cantores a formação lírica. A obra poderia se passar por uma ópera, desejada por Bernstein, se não se tratasse de uma releitura ousada de ‘Romeu e Julieta’ e os pomposos figurinos não tivessem sido substituídos por jeans e tênis (hoje, um clássico do vestuário).
Ambientada em Manhattan nos anos 60, a história trata do amor impossível entre o americano Tony e a porto-riquenha Maria. No lugar dos Capuleto e dos Montecchio, duas gangues de rua: os Jets, formada por americanos, e os Sharks, de imigrantes porto-riquenhos.
Por sua revolução - não apenas estética -, a peça foi considerada moderna e de vanguarda também por abordar violência e preconceito, tema que não fazia parte do repertório dos grandes teatros da Broadway de então.
O sucesso foi tanto que ultrapassou os tablados, como a gravação sinfônica de Jose Carreras e Kiri Te Kanawa, regidos pelo próprio Bernstein. A outra, e talvez a mais conhecida, é a versão cinematográfica de 61, que ganhou onze Oscars e foi traduzida no Brasil como ‘Amor, Sublime Amor’.
E como transportar canções inglesas para o nosso complexo português? “Num clássico como este, prefiro fazer a aproximação da palavra com o fonema e não necessariamente com a sua tradução literal”, explica Claudio Botelho, que assina a tradução e versão e tem no currículo espetáculos como ‘A Bela e a Fera’, ‘O Fantasma da Ópera’ e ‘My Fair Lady’. Não entendeu? Então preste atenção na nona canção, ‘Você’, para o original ‘Tonight’. “Para dizer ‘esta noite’, a língua inglesa utiliza uma palavra. No português, são duas. ‘Você’ coube melhor.”
Com tudo pronto para a estréia, Takla diz ainda sentir “aquele friozinho na barriga”, o que não o impede de seguir em frente. “Eu tenho em mente três clássicos, que são os pilares do teatro musical. O primeiro foi ‘My Fair Lady’, deixei ‘West Side Story’ em segundo lugar porque é uma obra que exige mais dos artistas e do público”. E o terceiro? “Isso eu não vou dizer nem morto.”
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