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O que elas não descartam
Beldades contam quais são as suas peças de roupa prediletas, aquelas que não vão para as sacolas de doação
Ciça Vallerio
Escondida no fundo do guarda-roupa, sempre existe uma peça sem uso, velha, fora de moda, mas impossível de ser descartada. Aquela que tem uma história pitoresca, provoca uma lembrança ou é, simplesmente, o xodó. Para matar a curiosidade das simples mortais, beldades da televisão e do mundo da moda mostram o que não vai de jeito nenhum para doação - sim, todas elas adoram se livrar do excedente.
A modelo e apresentadora Luize Altenhofen, de 28 anos, diz que não é apegada a nada. Costuma até emprestar roupas para amigas. Mas, como é famosa, não repete muito as roupas, para evitar alfinetadas na mídia. Por isso, troca periodicamente o seu guarda-roupa. Costuma dar muitas peças, principalmente agasalhos e cobertores, que são destinados a moradores de rua. Mas tem um item que não vai embora de jeito nenhum: um gorro de lã, com o nome do time do seu coração, o gaúcho Internacional.
O acessório já se tornou uma espécie de amuleto, e foi presente do seu pai, quando ela tinha apenas 6 anos e morava na cidade Cruz Alta, no Rio Grande do Sul. “É de lã grossa porque, na minha terra, a temperatura chega a menos 4 graus. Até no verão, assisto ao jogo do Inter com o gorro na cabeça. Se viajo e vai haver alguma partida, levo-o na mala. Quando o Inter disputou o Campeonato Mundial Interclubes contra o Barcelona, em 2007, todo mundo falava que a vitória seria impossível, afinal, o elenco do time espanhol só tinha astros. Na final, estava em Curitiba com meu noivo e não tive dúvida: arrumei a mala, vim para São Paulo só para torcer com meu gorro. E o Inter foi campeão!”
PRIMEIRO LUXO
Nada de amuleto para a modelo da Elite, Ana Carolina Gequelin, de 24 anos. Os xodós dela resumem-se a duas peças: uma calça e uma bota. Cada uma com sua história. Aos 17 anos, ela foi trabalhar em Milão, onde morou por cinco meses. Acostumada a poupar o dinheiro que recebe - diz que modelo “nunca sabe o dia de amanhã” -, a morena ganhou um bom cachê naquela ocasião e, pela primeira vez, comprou uma peça cara: um jeans da marca Replay, que estava em alta naquela época. A cor original era preta. Já desbotada, a calça também tem alguns rasgões, conseqüência dos anos de uso.
“Mas é como vinho, quanto mais velha, melhor”, brinca Ana Carolina. “Apesar de acabada, fica cada vez mais linda. Até hoje tem gente que lhe pergunta onde comprou a peça. “Gosto de usá-la até em eventos chiques: coloco uma blusinha mais bonitinha, um super salto alto e pronto, fica uma produção sensual e descolada.” Já a bota é uma paixão antiga: não tem marca, foi comprada há seis anos na cidade natal da modelo, Campo Largo, Paraná, e por mais que tente descartá-la, o acessório sempre acaba voltando para o seu sapateiro.
Ana Carolina conta que a bota já passou por vários consertos, na sola do bico desgastada e na base do salto, e já recebeu tinta preta fosca, depois, brilho. “Na época em que comprei, era moda cano acima do joelho. Como essa onda passou, comecei a adaptar a altura, franzindo o couro ou dobrando as abas”, conta. “Mas vi nos desfiles de inverno de Nova York que as botas altas, estilo mulher gato, estão em alta novamente, para a minha sorte.”
VERSÁTIL
A ex-miss Brasil e apresentadora de TV Renata Fan, de 29 anos, tem um quebra-galho e tanto no guarda-roupa: um casaco Calvin Klein, comprado nos Estados Unidos, durante um evento do qual participou no Texas, com as finalistas do concurso de miss Universo, em 1999. Acabou virando um clássico, que até hoje ela carrega para cima e para baixo. “É um meio-termo, pois não é nem muito leve, nem pesadão. Por isso, me salva em diversas ocasiões, além de me trazer boas recordações”, fala ela, diante de seu closet repleto de acessórios e roupas - sem contar os que ficam no guarda-roupa do quarto de hóspede.
Durante uma outra viagem aos Estados Unidos, Renata comprou um par de óculos na loja Bloomingdale’s. O acessório não é de marca famosa, mas tem lugar cativo na sua coleção repleta de grifes. Foi comprado meio por impulso: ela bateu o olho na prateleira e logo de cara gostou dos óculos, que estavam totalmente fora de moda na época. “Em 2000, todo mundo usava modelos pequenos e eu ainda escolhi um bem grandão”, lembra. “Só que, agora, a moda está a meu favor, já que a tendência retrô, com lentes gigantes, voltou com tudo!”
As peças mais queridas da atriz e apresentadora Adriana Lessa são uma ode à feminilidade. A primeira é uma echarpe de seda com bordados delicados, assinada por Reinaldo Lourenço. “Fiquei muito feliz quando pude comprar, pela primeira vez, uma peça tão fina e cara, de um estilista que admiro, por gostar de ornamentar delicadamente a mulher.” Ela sabe fazer bom uso do acessório, que se transformou num curinga. Friorenta assumida, sempre carrega a peça, até mesmo para se proteger do sopro gelado do ar-condicionado. Às vezes, vira um turbante, numa produção exótica e, ao mesmo tempo, elegante.
Outro mimo de Adriana é uma lingerie: um body bem sensual, com fitinha. Ela conta que desembolsou uma boa quantia para agradar a ela própria. Tem dias que chega em casa, toma um banho com sais especiais, se perfuma, veste a peça e desfila pela casa como uma deusa. “Esta peça retrata meu momento muito íntimo, gosto de me sentir bem comigo mesma.”
LEMBRANÇA AMOROSA
A modelo da Ford, Camila Espinosa, de 32 anos, guarda com todo carinho o primeiro presente que ganhou do seu namorado (e atual marido), há seis anos. Era o comecinho do romance - mais precisamente, dois meses de relacionamento - e o vestido de alcinha foi um presente de Natal. O casal acabou se casando e, agora, ela aguarda o nascimento de seu primeiro bebê. Camila usou tanto a roupa que enjoou. Mesmo assim, promete não tirar mais do seu guarda-roupa. “Vai ficar aqui para sempre!”
Existe outra peça que ela não descarta: um maiô super-retrô, comprado há 10 anos, da marca Dolce & Gabbana Mare. Camila confessa que nunca desfilou com a peça na praia ou piscina. “Sempre usei como top e com jeans. Adoro oncinha e já fui em muita festa assim. Mas faz anos que não visto. Com certeza, vou ficar velhinha, o maiô não vai passar nem pelas pernas, porém, nunca vou descartá-lo”, promete.
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