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Julio Mesquita
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Sábado, 22 março de 2008   edições anteriores
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  Nós freamos, e não 'freiamos'

Com Eduardo Martins

O anúncio da empresa automobilística piscava num portal da internet: “Enquanto você acelera a emoção de dirigir o nosso carro, nós freiamos o preço para você”. Será “freiamos”, realmente, a forma correta? Não é.

A flexão do verbo é freamos, por uma razão muito simples. Só existe o grupo ei na conjugação quando a sílaba mais forte é a que contém o e da terminação ear. Assim: frei-a, frei-o, frei-es, frei-e, frei-em.

Se a sílaba forte está depois do e, não aparece o i. Portanto: frearam e não “freiaram”, freamos e não “freiamos”, frearia, freasse, freemos, freará, etc. O mesmo ocorre com recear, por exemplo: receia, recearam, receie, receemos, receiem, recearmos, receava, etc. Ou com passear: passeia, passeiam, passearam, passeamos. Ou ainda enfear: enfeia, enfeiam, enfearam, enfeamos, etc. O som do verbo pode também ser aberto, que a conjugação não se altera: estrearam, estreamos, estréia, estréie, estreou, estreava, etc.

Só existem dois verbos no idioma terminados em eiar: enseiar (formar seio em) e veiar (formar riscas à semelhança de veio). Nesses - e só nesses -, existem as flexões enseiou, enseiava, enseiaram, enseiarmos, veiou, veiava, veiaram, veiarmos, etc.



EDUARDO MARTINS
é jornalista, autor dos livros Manual de Redação e Estilo de O Estado de S. Paulo, Com Todas as Letras - O Português Simplificado (ambos da Editora Moderna) e Uso do Hífen (Editora Manole), além de 6 Resumões de língua portuguesa, editados pela Bafisa

   


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