| |
Cenário em casa
O chef e apresentador de programa de culinária Allan Vila Espejo fez de seu sobrado, em Moema, um autêntico espaço gastronômico
Bete Hoppe
Quando se separou, nos anos 90, Allan Vila Espejo carregou na bagagem parte da mobília, todo o arsenal culinário e o labrador Boris Smirnoff. Preferiu uma casa à antiga cobertura e chamou o designer de interiores Fuad Murad, que já tinha decorado aquele apartamento, para, juntos, reeditarem o estilo “brejeiro contemporâneo” no novo espaço, em Moema. Cinco anos depois, o chef mudou-se para outra casa no mesmo bairro, mais uma vez planejada com Murad. Após uma reforma de três meses, Vila Espejo abriu as portas do sobrado, comemorando o aniversário de 49 anos, em agosto passado.
Dono dos restaurantes Don Pepe Di Napoli, Al Mare, Pepitto e Vila Conte, da pizzaria Di Napoli e do Vila Conte Caffé 24 Ore, e apresentador do programa de TV Chef Allan, o Mestre-Cuca (de segunda à sexta, das 19 às 19h30, na CNT), Vila Espejo queria um espaço gastronômico que servisse aos amigos, funcionasse como laboratório e também de cenário para o programa. O resultado são vários pontos culinários espalhados pela casa - só a ala íntima escapou. Na área da piscina fica uma churrasqueira tradicional, de tijolos, “muito usada no verão”, segundo ele. Até a garagem, no subsolo, tornou-se cozinha profissional, com pista de dança e globo espelhado no teto. Ali, o chef testa receitas e promove eventos.
Na parede com abertura entre a sala e a cozinha, a placa em que se lê “Restaurante Exclusivo para Hóspedes” reflete o espírito bem-humorado do morador. A decoração tem ar de cantina italiana com pitadas de mineirice. No antigo armário de madeira há garrafas de cachaça, enquanto as paredes estão cobertas de cimaabaixo com panelas de cobre, pratos e fotos, incluindo a imagem de Allan no preparo da maior paella do Brasil, que serviu 3.500 pessoas - prato que é, aliás, sua especialidade. Lembranças de viagem estão dispostas sobre móveis, a maioria de madeira e palha. “Aproveitei tudo o que tinha. Novas, só as cadeiras de balanço”, diz, apontando para as peças sobre o piso de ladrilho hidráulico, perto da churrasqueira instalada na sala. Feita sob medida, essa churrasqueira tem 5 metros de duto e vidro transparente nas laterais. “Assim evita cheiro e fumaça pela casa, além de proteger do vento”, diz.
Na cozinha principal, o trabalho do chef pode ser observado a partir do corredor lateral da casa, através da janela basculante junto ao fogão de aço escovado (Smart Cook da GE, de piso, com 6 bocas e forno, R$ 2.499, no site do Extra). Nichos vazados de madeira embutem geladeira, microondas, forno e adega de inox (da linha Profile da GE, para 29 garrafas, por
R$ 1.799, no site do Ponto Frio). Entre panelas de ferro esmaltadas de cores cítricas (La Grande Maison), vêem-se frigideiras de alumínio e teflon assinadas pelo chef para a linha profissional da Nigro (à venda na Dragonetti). Aqui e ali, utensílios garimpados em viagens ou herdados da família: pilão para socar temperos (Espanha); cuscuzeira de cerâmica pintada à mão (Tunísia) e cumbucas e colheres com formas de animais, esculpidas em madeira (África do Sul).
Prateleiras enfileiram especiarias dignas de mercado persa. O sal ganha sabores de algas, funghi e açafrão. Condimentos comuns estão ao lado do cooktop vitrocerâmico, na bancada de frente para a sala. Ali, o cozinheiro dá o retoque final nos pratos, enquanto conversa e assiste à TV de plasma giratória. Prático, Allan instalou rodízios na cadeira e tirou o vidro lateral de um armário da cozinha. “Gosto de circular por ali, sentado na cadeira, e ainda tenho os copos por perto”, explica.
|