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Marcenaria, a solução
Com esse recurso, Alice Martins e Flavio Butti exploram a praticidade em área pequena
Roberta de Lucca
Quando os arquitetos Alice Martins e Flavio Butti foram contratados para decorar o apartamento de 60 m², em 2004, receberam um briefing objetivo do casal de proprietários: a idéia não era morar ali por muitos anos, então a decoração deveria ser “relativamente provisória e funcional, com boas soluções de marcenaria, e de custo reduzido”. Para Flavio e Alice, o desafio era instigante, porque Lídia Zorzi e Alvaro Gomes Lourenço Júnior não queriam nenhum tipo de reforma na nova casa, apenas que ficasse pronta rápido para que pudessem mudar logo.
Só que, para chegar a essa conclusão simples e pontual, o casal passou por uma fase anterior mais desgastante. “Moramos juntos um ano na Austrália e quando voltamos ao Brasil não tínhamos casa. Então, cada um voltou a viver com os pais até resolvermos a situação, solucionada em tempo recorde”, lembra Alvaro. Dois meses e 50 visitas a apartamentos depois, o casal finalmente encontrou o tão desejado imóvel. “Não foi fácil achar, porque tínhamos vontades bem específicas, mas este tem tudo o que queríamos”, conta.
O “tudo”, no caso, era um imóvel novo, localizado na Pompéia, com dois quartos, duas vagas na garagem e varanda. Com a chave na mão, o casal escalou Alice e Flavio, que já tinham executado projeto para os pais de Lídia. “Preferimos contratar profissionais porque íamos morar num lugar pequeno e eles têm boas soluções. Gostei do resultado, ficou simples e bem bolado”, explica ela.
Como o apartamento era novo, a base do trabalho consistiu em investir na marcenaria. Na sala, em vez de um móvel convencional para livros, objetos e TV, os arquitetos criaram, numa parede estreita, um móvel com rodízios e base pivotante - “jantamos assistindo à TV da mesa”, diz Lídia. Acima dele, na parede, pranchas de madeira para livros, enfeites e coleções de copos e canecas se prolongam à direita, alcançando outra parede. Para driblar o espaço reduzido, o sofá foi feito sob encomenda (da Angélica Decorações, custa R$ 1.900 o modelo de 2 m x 0,90 m, sem o tecido). “O móvel tem braços e assento mais estreitos que o normal”, explica Alice. O desenho oval do tapete de náilon, também fabricado sob encomenda, suaviza o ambiente. Já as formas circulares da mesa de jantar de metal e tampo de vidro, de Fernando Jaeger (atualmente, a marca tem o modelo Linea, de madeira e vidro a partir de R$ 1.096), e do pufe melhoraram a circulação e fazem contraponto com o bufê retangular, posicionado ao lado da mesa.
“É muito comum as pessoas errarem na proporção dos móveis. Por isso, é fundamental pensar no tamanho das peças. Nessa hora, deve-se sair do modelo clássico de decoração e apostar em outras configurações”, afirma Alice. Como exemplo, ela cita a escolha das cadeiras da mesa de jantar, da Bydesign: parecem poltronas e acomodam com conforto os convidados (a Gogo, modelo semelhante, custa R$ 290, na Desmobilia).
No quarto do casal, a exigência era uma cama grande. “Projetei criados-mudos pequenos para abrir espaço para uma peça de 2 m x 1,60 m com gaveteiros”, explica Alice, que “roubou” uma parte do dormitório para fazer o closet de Lídia. O espaço ocupa a passagem para o banheiro, que recebeu gabinete de madeira branca. O armário de roupas de Alvaro fica no escritório. Nesse ambiente, a marcenaria foi pensada em função do reaproveitamento, caso os moradores queiram levar para outro imóvel os nichos para livros instalados nas laterais da janela, a bancada de MDF revestido de freijó linheiro, que ocupa uma parede (execução da Marcenaria Capricce, responsável por todo o trabalho de marcenaria do apartamento) ou o gaveteiro do mesmo material, com rodízios.
“Ao comprar um imóvel, acho importante os proprietários considerarem que vão precisar de dinheiro para decorá-lo. Do contrário, fica com ar de casa provisória, enquanto a família capitaliza para depois investir nos móveis. Vale a pena escolher um apartamento um pouco menor e usar o dinheiro que sobrou em boas peças e instalações”, diz Alice.
Na casa de Lídia e Alvaro, a idéia funcionou bem, principalmente porque o casal é daqueles que calculam os gastos na ponta do lápis e planejam a vida a médio prazo. “As duas vagas na garagem e a boa marcenaria vão valorizar o apartamento na hora de vendê-lo”, explica Alvaro, que já vem pagando as prestações de um maior (de 140 m², na Vila Romana), com entrega em 2009. É lá que o casal pretende aumentar a família. “Aqui é ideal para um casal com um cachorro, como nós. Com uma criança, seria difícil. Não tem nem lugar para um triciclo.”
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