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Quarta-feira, 9 julho de 2008   edições anteriores
AGRÍCOLA
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  Eucalipto para toda obra

Projeto da Esalq/USP testa, diretamente nas propriedades rurais, as
espécies de eucalipto adequadas a cada região

Tânia Rabello

Há diversidade no eucalipto. Ao contrário do que muitos possam concluir, ao observar florestas plantadas para produção de celulose e papel, nem só de plantas clonadas sobrevive a eucaliptocultura no País. Para pequenos produtores, aliás, o cultivo de uma espécie só, clonada, pode ser arriscado e limitado quanto ao aproveitamento de todo o potencial do eucalipto, conforme ensina o engenheiro florestal João Dagoberto dos Santos, pesquisador de Sistemas Agroflorestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Um pequeno produtor pode obter renda do eucalipto em apenas 1 hectare, plantando 9 espécies diferentes da árvore, que se prestam a várias finalidades, como produção de mel, de madeira para energia (carvão e lenha), para construção civil, serraria, movelaria, óleo essencial e celulose, entre outras.

Com desbastes a cada quatro anos, o agricultor consegue renda extra com a venda da madeira e, desde o primeiro ano, pode obter algum dinheiro com a instalação de colméias para produção de mel e outros produtos apícolas. Com 20 anos de cultivo, faz-se o corte raso, com a venda das toras para movelaria e outras finalidades mais nobres.

Este é, em linhas gerais, o sistema preconizado e idealizado na Esalq, denominado Teste de Uso Múltiplo de Eucalipto, ou, simplesmente, Tume. Formatado pelo professor de Silvicultura do Departamento de Ciências Florestais da instituição, José Luiz Stape, o Tume foi posto em prática em 1996 e hoje conta com cerca de cem experimentos em oito Estados brasileiros. “Temos a maior coleção de eucaliptos do País, com 60 espécies. Não tem lógica essa coleção ficar confinada na universidade; ela tem de estar no quintal do produtor.”

CLIMA E SOLO

Nos Tumes espalhados pelo País há cerca de 30 espécies sendo usadas. “As nove que comporão cada hectare de Tume são selecionadas conforme o clima e solo da região e a intenção comercial do produtor”, explica Stape. “É um teste de uso; o produtor vai cultivar as nove espécies e verificar, ao longo do manejo e da própria vocação dele e da região, quais espécies se adaptam melhor à propriedade.”

Ao longo dos 20 anos, o produtor se compromete com a universidade a abrir a propriedade à visitação de interessados e tem, em contrapartida, o fornecimento das mudas a preço de custo pela Esalq, a assistência técnica e o acompanhamento gratuito (só é necessário o produtor pagar despesas de transporte, hospedagem e alimentação dos técnicos) e aferimentos do desenvolvimento da floresta.

Stape diz que é importante destacar que o eucalipto deve ser visto como “mais uma” opção de renda. “O Tume pode entrar em áreas declivosas e inaproveitadas da propriedade, onde o cultivo de outras espécies é mais custoso ou inviável”, ensina.

Só para se ter uma idéia, ao fim de 20 anos, sem contar a produção de mel ou de óleos essenciais e os desbastes feitos a cada 4 anos - “A venda da madeira do primeiro desbaste já paga o investimento inicial”, diz Stape -, é possível obter 200 árvores por hectare, ou 300 metros cúbicos. “Com o metro cúbico a R$ 80, um hectare rende R$ 24 mil, em média”, calcula Stape, acrescentando, porém, que esses valores são apenas “uma idéia”, já que variam conforme o manejo dado ao cultivo, sobretudo as despesas com adubação e controle de formigas, a principal praga do eucalipto.

O principal, para Stape, é que, ao longo do processo, o produtor verificará a real vocação da propriedade em relação ao eucalipto. “Ao fim do primeiro corte raso ou se o produtor tiver mais área, pode plantar as espécies que se adaptaram melhor ao projeto da propriedade”, conclui.



200
espécies de eucalipto,

de um total de 600, calcula-se que tenham sido introduzidas no País até hoje

40
espécies de eucalipto
têm potencial de produção no Brasil, mas não mais do que 10 são cultivadas em larga escala

60
espécies de eucalipto
é o total de espécies mantidas na coleção da Esalq/USP, a maior do País

   


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