estadao.com.br Estadao Jornal da Tarde Agencia Estado Eldorado AM Eldorado FM iLocal ZAP
   

Julio Mesquita
(1891-1927)
DIRETOR:
Ruy Mesquita

 
 
PARTICIPAÇÃO
ESPECIAIS
MERCADOS/FUNDOS
 
 
  
 
      Busca local   
Quarta-feira, 16 janeiro de 2008   edições anteriores
AGRÍCOLA
 ÍNDICE GERAL | ÍNDICE DA EDITORIA | ANTERIOR | PRÓXIMA
  Caraguatatuba exportará antúrio para a Europa

Clima do município do litoral norte paulista é perfeito para o cultivo, resultando em flores
de excelente qualidade

João Carlos Faria

Uma nova porta está se abrindo para produtores rurais de Caraguatatuba, litoral norte paulista. Desde a década de 90 eles enfrentam a crise provocada pela decadência no cultivo de legumes - já foram os maiores fornecedores para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), em São Paulo (SP), durante o inverno - e de gengibre, do qual a região foi a segunda maior produtora do País.

O ânimo dos produtores está renascendo com o cultivo de antúrio, que tem na região um microclima extremamente favorável para o seu desenvolvimento e produção.

EXPORTAÇÃO

A qualidade da produção, proporcionada pelas condições apropriadas de temperatura e umidade - as flores duram até 60 dias, têm um brilho especial e cores que variam do vinho ao cor-de-rosa choque -, já começa a encantar os europeus, que acenam para a possibilidade de ótimos negócios, via exportação.

Em dezembro, 50 dúzias foram embarcadas para Londres, onde, no próximo fim de semana, os floricultores vão participar de uma feira, num estande conjunto com colegas alagoanos. Uma nova remessa de 250 dúzias já está sendo preparada para seguir para a França, para o Dia dos Namorados, comemorado por lá em 17 de fevereiro.

Já há cinco produtores locais de antúrio, que somam 100 mil pés e produzem 600 dúzias por semana. Eles fazem parte da Associação de Produtores Rurais do Litoral Norte. 'Acertamos por acaso, pois não sabíamos que a região era propícia para o antúrio', diz o produtor Marcelo Meirelles. Ele cultiva 15 mil pés de antúrio e colhe cerca de 150 dúzias por semana.

As mudas das 21 variedades de antúrios produzidas em Caraguatatuba vêm de um laboratório de Arthur Nogueira (SP), que tem licença do Instituto Agronômico, de Campinas (SP), para fornecer aos produtores. Cada muda, com 3 centímetros, custa até R$ 2.

RETOMADA

A idéia de plantar antúrios em Caraguatatuba surgiu na década de 90, com o agricultor Yassutada Nasu. Presidente da associação, ele obteve uma verba do governo federal e conseguiu a adesão de 20 produtores, mas o projeto não vingou. Meirelles retomou o projeto e agora investe na exportação, cuja grande vantagem é, segundo ele, a venda garantida e lucro pelo menos 50% maior.

Atualmente, a produção é vendida em consignação na Ceagesp, com pagamento de comissão de 20%. Sendo consolidadas as propostas de exportação, logo de início a expectativa é enviar 250 dúzias por semana para a Europa.

BOA OPÇÃO

A família Kamyama produziu, por muitos anos, legumes em seu sítio no Bairro Getuba, em Caraguatatuba. Também foi grande produtora de gengibre, passou pela pimenta-do-reino e há quatro anos optou pelo antúrio. Em duas estufas, que somam 3.200 metros quadrados, eles têm 13 mil pés e colhem 100 dúzias de flores por semana, devendo passar para 18 mil pés, com uma terceira estufa, que deve ficar pronta até junho.

Toda a produção vai para São Paulo, onde os preços variam de R$ 5 a R$ 18 a dúzia, dependendo do tamanho da flor e da haste, que deve ter pelo menos 90 centímetros de comprimento. Os irmãos e sócios Sérgio e Gilberto Kamyama apostam na exportação para aumentar os lucros. 'Hoje, há uma perda de pelo menos 20% das flores colhidas, que, somada à comissão de 20%, resulta num recuo de 40% em relação ao total recebido', explicam. 'A exportação absorveria aqueles 20% perdidos.'

   


    Links Patrocinados
  Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP
  Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.