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Animais da ceia e seus criadores
Luiz Gallo
As comemorações de Natal e ano-novo são conhecidas pela fartura na ceia. Como prato principal, um pernil ou um tender suínos e um peru ou um daqueles frangões do tamanho de perus não deixam de faltar à mesa. Com isso, criadores de aves e de suínos também garantem seu Natal, pela grande procura da carne desses animais nesta época do ano.
Uma grande rede de hipermercados espera aumento de 15% na venda de aves, em relação a dezembro de 2006, e 6% de aumento na venda de suínos no mesmo período. Essa porcentagem corresponde a 3 mil toneladas de aves e a 1.550 toneladas de suínos a mais em vendas.
SUÍNOS
Em relação à carne suína, para o presidente da Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira Junior, o setor foi favorecido com o aumento do preço dos suínos, que está 25% maior em relação ao mesmo período de 2006. Entretanto, os suinocultores, assim como os avicultores, vêm enfrentando grandes problemas com o custo de produção, que subiu 70% em comparação ao fim de 2006, devido ao aumento de preço do milho.
Segundo Ferreira, 1 arroba suína sempre comprou 2 sacas de 60 quilos de milho. Hoje essa relação está abalada. Agora 1 arroba suína tem comprado entre 1,5 e 1,75 saca de milho. 'A escassez de milho encareceu o cereal e elevou o custo de produção dos suínos, neutralizando os bons preços pagos atualmente pela arroba ao produtor.'
FIM DA CRISE
O engenheiro agrônomo José Ovídio Sebastiani cria suínos no município de Boituva (SP). Sebastiani faz o ciclo completo de cria, recria e engorda, e abate os animais em frigorífico próprio. O criador afirma que os últimos dois anos foram muito complicados para o setor. 'Aqui em São Paulo é mais difícil do que no Sul. Somos criadores independentes, sem vínculo com a agroindústria, temos um custo maior e mais dificuldade para vender nossos produtos', afirma.
De acordo com o o criador, dezembro é realmente o mês de maior procura por seus animais, que são vendidos a R$ 60 a arroba, ou R$ 3 o quilo vivo. Em seu frigorífico são abatidos por ano 30 mil animais, todos de produção própria. José Sebastiani conta que 2007 foi um ano histórico para a suinocultura brasileira.
MILHO E TRIGO
O preço do suíno está alto, mas o aumento do preço dos grãos, principalmente do milho e o trigo, que são os principais componentes da ração dada a esses animais, impediram que os criadores tivessem lucratividade maior. 'Estamos esperando a safra de milho de março. Se tudo der certo, o preço do milho cairá e lucraremos mais', diz Sebastiani, que também espera recuperar os prejuízos que teve durante os últimos dois anos.
'A crise por que o setor passou nesse período não foi a mais forte, mas certamente a mais duradoura', afirma o produtor. 'Com este aumento de preço do fim de ano, aumentam as expectativas de melhoria do setor para 2008', espera o suinocultor.
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