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Jumento melhora e conquista mercados
Criadores passaram a investir na genética, sobretudo da raça pêga. Hoje, macho pode ser vendido por até R$ 20 mil
Niza Souza
O jumento não é mais o mesmo. Animal rústico e com fama de teimoso, a espécie está cada vez mais valorizada. Alguns animais já recebem tratamento de primeira linha, com direito a transferência de embriões, inseminação artificial e congelamento de sêmen. Um bom jumento reprodutor, da raça pêga, mede 1,45 metro de altura - a média há dez anos era de 1,3 metro - e vale até R$ 20 mil.
SEM 'ESTOQUE'
Há mais de 30 anos dedicando-se à criação de asininos, o jumenteiro Osmar Russo, da Fazenda do Trevo, em Lorena (SP), diz que o mercado nunca esteve tão bom. Atualmente, seu plantel é de 80 jumentos, entre machos reprodutores e matrizes, além de algumas mulas. E este ano já não tem nenhum animal para venda. 'Vendia 10 jumentos/ano. Hoje vendo 50. Não vendo mais porque não tenho.' A maioria é vendida para produzir muares (burros e mulas).
Segundo Russo, um dos principais mercados é o Centro-Oeste, 'sobretudo Mato Grosso e Goiás, para produção de muares, que são usados na lida com o gado.' Uma boa mula de tração puxa até 1 tonelada. A média de preço também aumentou. Os machos custam em torno de R$ 10 mil, e os melhores chegam a R$ 20 mil. 'Cinco anos atrás não valiam mais que R$ 2 mil', diz. Só com seu principal reprodutor, o Brinquedo de Mocó, da raça pêga, de 22 anos, Russo tem renda anual de R$ 30 mil. 'Apesar da idade, este eu não vendo, só alugo para cobertura, tanto de jumenta quanto de égua.'
O criador diz que de três anos para cá a demanda aumentou. O motivo, acredita, é o melhoramento genético. Um bom jumento reprodutor tem de ter orelha bonita e grande, ser marchador, forte, resistente e manso. 'Mas o principal é imprimir as características às crias, senão não adianta nada.'
Mesmo sem o uso de tecnologias de reprodução, o criador já conseguiu melhorar as características dos animais. 'Separo os melhores animais e cruzo com matrizes boas também. Meus animais nem se comparam aos de antigamente.' Algumas jumentas, que mediam em torno de 1,3 metro, agora chegam a 1,4 metro. E a criação de asininos, antes um hobby, passou a ser um lucrativo negócio.
O zootecnista José Maurílio de Oliveira, da Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga, confirma que as raças de jumentos evoluíram muito, sobretudo o pêga. 'Têm bom andamento, caracterização racial e são mais bonitos.'
NOVOS MERCADOS
Esta preocupação por animais de melhor qualidade é reflexo da maior demanda por muares. 'O jumento serve basicamente para produzir muares', explica Oliveira. Segundo ele, além da demanda por muares para trabalhos no campo, há competições, exposições, cavalgadas e leilões o ano inteiro, em todo o País, com prêmios atrativos, que vão de carros zero-quilômetro a dinheiro. No último leilão de jumentos e muares promovido pela associação, em julho, a média foi de R$ 9.800 por animal, 'ou o dobro de há cinco anos.'
Oliveira destaca que, para ter um muar de elite, o cruzamento precisa ser feito com jumento de boa genética, com característica de marcha, ser bonito (o que inclui ter boas orelhas), pernas corretas e boa garupa. A égua também precisa ser de qualidade. Antigamente usavam-se os piores animais para obter muares. Hoje, os cruzamentos são com éguas das raças manga-larga, manga-larga marchador e campolina.
Apesar do bom momento do mercado, o plantel de jumentos ainda é pequeno. Sem contar o jegue nordestino, que não é considerado comercial, a raça mais difundida é a pêga. Atualmente, há 20 mil animais registrados na associação. Apenas nos últimos cinco anos, afirma Oliveira, este número cresceu de 30% a 40%. 'A procura hoje é maior que a oferta. Estou na associação há 20 anos e o setor nunca esteve tão bom. Quem tem animal, vende.'
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