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Julio Mesquita
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Quarta-feira, 3 dezembro de 2008   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Produtos básicos devem ser destaque no PIB em 2009

Jacqueline Farid, RIO

O ano de 2008 será lembrado como uma espécie de feliz ano velho para a economia do País. Em cenário de forte desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, os setores industriais vinculados ao crédito, que lideraram a economia este ano, como automóveis e eletrodomésticos, saem de cena para dar espaço aos produtos básicos, como alimentos e têxteis, impulsionados pela renda.

A LCA Consultores revisou a projeção para 2009 e informou em documento que as mudanças foram motivadas porque o “quadro de aguda aversão ao risco no plano internacional vem se prolongando por um período mais dilatado do que o que vínhamos antevendo”. A consultoria reduziu a projeção para o PIB de 3,3% para 3%. Apesar da revisão, o sócio-diretor da LCA, Fernando Sampaio, acredita que “a economia vai desacelerar, mas não capotar ou regredir”.“A crise lá fora é muito grave e o impacto aqui será forte, mas não tão dramático.”

Sampaio acredita que os produtos básicos vão se destacar em relação aos bens duráveis no ano que vem, ao contrário deste ano. Para ele, os setores que vão ter mais dificuldades em 2009 são aqueles que dependem de confiança e crédito, enquanto os vinculados à renda podem se destacar mais em meio à crise.

Segundo o economista da LCA, além da dependência da confiança e do crédito, os bens duráveis e os bens de capital têm também influência importante do câmbio, já que ou são integralmente importados ou usam componentes importados na fabricação. Sampaio prevê que alta no consumo de produtos básicos em 2009, já que não se espera reversão na trajetória de aumento da renda, mas o efeito dessa expansão na economia é bem menor do que ocorre com automóveis e máquinas e equipamentos, por exemplo.

O consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sérgio Gomes de Almeida, também avalia que, em relação à indústria, os destaques em 2009, ao contrário deste ano, serão os setores intensivos em mão-de-obra, como têxtil e alimentos, mais vinculados à renda do que ao crédito. Ele acredita que o PIB do País fechará o ano com alta de 5% mas, para 2009, prefere não arriscar uma aposta.

VAREJO

Em meio à mudança brusca de cenário, o varejo promete ser o setor menos prejudicado pela crise, pelo menos em magnitude de crescimento. O comércio varejista, que apresentará a forte expansão de 9,7% em 2008 - sobre elevada base de expansão de igual crescimento ocorrido no ano passado -, segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio, vai desacelerar para algo em torno de 5% a 6% em 2009, segundo estimativa do chefe do departamento de economia da instituição, Carlos Thadeu de Freitas.

   


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