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BMW, enfim, venderá Mini no Brasil
Lendário compacto fabricado na Inglaterra será importado pela montadora a partir do início do ano que vem
Cleide Silva
Um clássico da indústria automobilística mundial, o modelo Mini será oficialmente importado pela BMW, 12 anos após o início das operações da marca no Brasil. O compacto desenvolvido há quase 50 anos ganhou fama em seriados e filmes internacionais e chegará no melhor momento da história do mercado brasileiro, com vendas recordes, que vão ultrapassar os 3 milhões de veículos.
O Mini entra no País atualmente via importação independente, feita por empresas do ramo ou pessoas físicas, a preços que vão de R$ 130 mil a R$ 150 mil. Com a decisão da própria BMW de trazer o carrinho fabricado exclusivamente na Inglaterra, as projeções apontam para preços abaixo de R$ 100 mil.
O presidente (CEO) da BMW do Brasil e Argentina, Arturo Piñero, diz que o preço será definido nos próximos meses, mas certamente ficará abaixo daqueles oferecidos atualmente. Segundo ele, só agora a empresa decidiu importar o Mini - que começará a ser vendido no início de 2009 - porque não havia produção disponível antes.
“Toda a produção da fábrica de Oxford estava comprometida. Como o Brasil é um país de grande potencial de vendas, não queríamos iniciar a importação sem a certeza de atender à demanda”, explica Piñedo.
A fábrica inglesa, única a produzir o modelo, recebeu investimentos e terá a capacidade ampliada para 240 mil unidades ao ano, cerca de 40 mil a mais ante os volumes anteriores.
O Mini já é comercializado em outros países da América Latina, como Argentina, México e Chile. No Brasil, a expectativa é de vendas de aproximadamente mil unidades por ano. Piñedo afirma que o Brasil tem uma importância estratégica fundamental para o grupo. “O País tem classe privilegiada, potencial compradora do nosso produto.”
A BMW vai montar uma rede exclusiva de concessionários para vender o Mini, com lojas em locais estratégicos como São Paulo, Rio e Curitiba. Com o modelo compacto, a marca quer consolidar a liderança em vendas no segmento de luxo no País, mantida desde 2001. De cada quatro carros de luxo vendidos no mercado brasileiro, um é da marca alemã, que tem como principais concorrentes as compatriotas Mercedes-Benz e Audi. Nos primeiros seis meses, a BMW vendeu 1.453 automóveis, 44% a mais que em igual período do ano passado. Piñedo acredita que esse porcentual de crescimento será mantido até o fim do ano.
As vendas de importados por empresas que não têm fábricas no País (a maioria de alto luxo) fecharam o período janeiro-julho com vendas de 17.462 veículos, um aumento de 260% em relação ao volume de igual período do ano passado. Além da melhora da economia e do maior acesso da classe média ao mercado, a valorização do real ante o dólar tem incentivado a importação.
Eduardo Barreto, da Barreto Import, empresa de importação independente de São Paulo, projeta um aumento de 20% nas vendas, para cerca de 400 unidades. Só de modelos Mini, ele espera trazer entre 30 a 40 unidades, vendidas na faixa de R$ 130 mil a R$ 150 mil.
Com o início da importação oficial pela BMW, Barreto deve parar de trazer o Mini. “Trabalhamos com produtos especiais, aqueles que as montadoras não oferecem.”
NO CINEMA
Nem a BMW sabe informar em quantos filmes e seriados o Mini aparece. O mais popular é o seriado Mr. Bean, uma série humorística da televisão inglesa protagonizada por Rowan Atkinson, cujo primeiro episódio foi transmitido em janeiro de 1990.
No cinema, a lista é extensa é inclui filmes como Golpe à italiana, de 1969, e sua refilmagem, em 2003; Adeus Pork Pie (1981); Lara Croft: Tomb Raider (2001); Identidade Bourne (2002); Austin Power 3 (2006); Antes só do que mal acompanhado (2007), além do seriado O Prisioneiro.
O Mini foi lançado em 1959, na Inglaterra, pela British Corporation (BMC), em meio a uma crise de petróleo que exigia carros mais econômicos. Em 1961, a BMC fez uma parceria com John Cooper, um construtor de carros de corrida, e nasceu então o Mini Cooper.
Desde então, a fabricante do modelo passou por várias mãos, mas o modelo manteve seu estilo. Em 1994, a BMW comprou o grupo Rover, então dono da marca e, em 2000, o modelo passou pela maior mudança estética, dando lugar à versão atual.
“É a primeira marca que conseguiu fazer de um carro pequeno um modelo premium. Não existe nada como o Mini, que desperta paixão e desejo; é uma compra emocional”, afirma Piñedo.
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