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  Dunga x Globo: tensão crescente

Desde que assumiu, após a Copa de 2006, o técnico mantém relação conflitante com a emissora de tevê

Luiz Antônio Prósperi

Continuam tensas as relações entre Dunga e a Globo. Nas transmissões esportivas da emissora, no domingo, o treinador da seleção brasileira foi alvo de críticas. O apresentador Fausto Silva, no seu Programa do Faustão, também questionou o técnico. E no quadro “Jogo Falado”, do Fantástico, especialistas em leitura labial revelaram os diálogos entre Dunga e Jorginho durante o jogo Brasil e Argentina, no Mineirão.

Um domingo inteiro na rede de TV com alfinetadas no treinador. Na maioria das vezes, as cobranças pediam um pouco mais de diplomacia ao técnico da seleção brasileira no trato com a imprensa.

As relações entre Dunga e Globo nunca foram boas. Desde que assumiu o comando da seleção, em julho de 2006, o técnico comprou briga com a maioria dos profissionais da emissora e nas coletivas sempre bate forte nos repórteres da Globo.

Na sexta-feira, em uma entrevista ao site Terra Magazine, Dunga bateu na Globo: “...Sei que querem a minha cabeça porque criei uma zona de desconforto para quem estava acostumado a cobrir a seleção sem sair de casa. Porque tinham a escalação, o time, as preferências do treinador. Mas isto mudou”, disse o treinador.

E emendou: “Queira ou não queira, a ‘poderosa’ manda e os caras que trabalham para ela acham que mandam. Não digo que seja a TV Globo, mas alguns profissionais que trabalham lá e estavam acostumados com privilégios e não têm mais...”

Comentarista da Band na Copa do Mundo de 2006, Dunga participou da cobertura da seleção brasileira durante o evento na Alemanha. E no contato no dia-a-dia com profissionais da mídia, detectou o descontentamento com supostos privilégios que os jogadores da seleção davam à TV Globo.

LIÇÕES DE 2006

Quando foi nomeado por Ricardo Teixeira para assumir o comando técnico do time, prometeu ao dirigente que mudaria o tratamento da seleção com a imprensa.

“...O que fiz foi atender o que 95% da mídia pediu e 100% da população brasileira queria: coloquei ordem, acabei com a festa que vi na Copa do Mundo de 2006. E estou atendendo o que o meu patrão (Ricardo Teixeira, presidente da CBF) determinou”, disse o treinador ao Terra Magazine.

Atendeu ao patrão e pode pagar um preço alto por se indispor com a Globo. Diferente do que faz o treinador, Ricardo Teixeira mantém cordiais relações com a rede de televisão.

CBF e Globo são parceiras em muitas pontas do futebol. Tão parceiras que o presidente Ricardo Teixeira procurou a emissora na quinta-feira para anunciar no Jornal Nacional a convocação de Ronaldinho Gaúcho para defender a seleção olímpica nos Jogos de Pequim, em agosto.

A Globo, procurada pelo Estado, garantiu ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que não faz campanha contra o técnico da seleção.

   


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