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SP tem 600 mil vigias clandestinos
Polícia Federal diz que a quantidade de fiscais é escassa; mercado da segurança privada está em crescimento
Camilla Haddad e Fernanda Aranda
No Estado de São Paulo, apenas nos bares, restaurantes, empresas e condomínios já são 139,8 mil vigilantes contratados para prevenir a criminalidade, número que supera a soma de policiais militares e civis em atividade, hoje em 120 mil. Segundo a Polícia Federal (PF), o contingente de vigias clandestinos em São Paulo chega a 600 mil pessoas que atuam sem treinamento. A brecha que permite a atuação dos clandestinos é justificada por dois fatores, segundo a PF: o mercado crescente e quantidade escassa de fiscais, responsabilidade da PF.
Nos últimos 20 dias, foram cadastrados no País 5 mil novos vigilantes, média de 250 por dia. Em contrapartida, o quadro nacional de fiscais permaneceu em 600 funcionários, que, além dos 436 mil seguranças privados no Brasil, precisam dar conta dos mais de 1,5 milhão irregulares. Entre os clandestinos, está a atuação de policiais militares e civis que fazem “bico”. O duplo vínculo é proibido, segundo a PM.
No último dia 11, o metalúrgico Fabiano Rodrigues, de 23 anos, foi espancado por dez rapazes diante de uma boate em Sorocaba. Imagens de circuito interno mostram que dois seguranças assistiram à cena. Um deles negou ter visto a agressão. O jovem está em coma. Cinco dias depois, o auxiliar administrativo Diego de Paula Leopoldo, de 19, morreu espancado após ser retirado de festa junina na Portuguesa. A família acusa os seguranças.
O cientista social da USP André Zanetic, especialista em segurança privada, observa que esses casos “podem ser reflexo da falta de formação específica” da segurança privada. “Por isso é importante ter fiscalização e treinamento.” Jorge Lordello, especialista em segurança, crê que, enquanto a fiscalização for insuficiente, mais pessoas despreparadas vão tomar a frente da vigilância privada.
O delegado da PF de São Paulo, Gilberto Tadeu Vieira Cezar, chefe da Delegacia de Fiscalização de Segurança Privada, promete fechar o cerco em casas noturnas. Ele admite que os 20 agentes de fiscalização são insuficientes para blitze eficazes. “Para essa operação, vamos receber reforço de fiscais de outros Estados.”
O delegado da PF responsável pela coordenação de Controle de Segurança Privada no Brasil, Adelar Anderli, reconhece que o principal desafio é lidar com esse aumento. “Os seguranças na clandestinidade precisam ser controlados.” Segundo ele, a baixa remuneração é determinante. O salário de um cadastrado chega a R$ 1,5 mil; um clandestino faz “bicos” por até R$ 200 por mês. “A responsabilidade é do contratante.”
José Adir Loiola, do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado, diz que a má atuação dos seguranças é freqüente. “A cada fim de semana tem um caso de excesso.”
SEM REAÇÃO
Os seguranças do Na Mata Café, no Itaim-Bibi, até apanham, mas nunca reagem, garante o dono da casa, Cliff Li. “Meu lema é: aqui, vocês podem até ser agredidos, mas nunca poderão revidar.” Segundo Li, se for uma situação gravíssima, a casa procura a Justiça. “Isto já aconteceu duas vezes. Em um dos casos abrimos boletim de ocorrência e processamos os clientes.” Segundo Li, os funcionários são registrados e completaram o curso de vigilância obrigatório pela PF. Os seguranças da casa são proibidos de usar blazer para evidenciar que eles estão desarmados.
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