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  Morre Cyd Charisse, atriz de ‘Cantando na Chuva’

Aos 86 anos, dançarina teve enfarte; ao lado de Fred Astaire, interpretou grandes musicais no cinema

Luiz Zanin Oricchio

Os cinéfilos veteranos imediatamente vão associar a expressão “as mais belas pernas do cinema” a Cyd Charisse, atriz que nos deixou ontem, aos 86 anos, vítima, aparentemente, de um ataque cardíaco. Nascida no Texas em 8 de março de 1922, e batizada como Tula Ellice Finklea, estreou no cinema com o nome de Lily Norwood, antes de adotar o nome de Cyd Charisse. O pseudônimo famoso ela criou contraindo o apelido de infância, Cyd, com o sobrenome do seu primeiro marido, Charisse, que assim, sem querer, entrou para a história do cinema.

Cyd Charisse tem uma carreira que só podia acontecer na época áurea dos musicais. Está no elenco do maior de todos eles, Cantando na Chuva, em parceria com Gene Kelly. Mas esteve também presente em um sem-número de filmes, entre os quais A Roda da Fortuna, Ziegfrid Folies, Viva Las Vegas, Meias de Seda e A Cidade dos Desiludidos, entre muitos outros. Seus parceiros ideais em cena foram Gene Kelly e, em especial, Fred Astaire.

Sua formação erudita deu-lhe grande flexibilidade de trabalho - podia dançar do clássico às danças folclóricas mexicanas. Sempre com a mesma graça e leveza. Impressionavam na tela sua beleza e cabeleira negra.

Revelou-se também boa atriz dramática em Party Girl e como vilã em Two Weeks in Another Town, de 1962. Depois dessa data, dedicou-se ao music hall e à televisão. Apesar de ter mostrado versatilidade, foi mesmo nos musicais que sua imagem se consagrou, e a esse gênero ficou presa. Quando ele entrou em decadência, Charisse migrou para outra área.

Era uma dançarina clássica, de excelente formação intelectual, e isso se refletia no trabalho em cena, profundo, ainda que corporal. Tanto assim que o insuspeito crítico cinematográfico Ado Kyrou não hesitou em classificá-la como a “maior dançarina do cinema”.

Começou as aulas de balé aos 6 anos de idade, encorajada pelo pai, Ernest, logo depois que ela desenvolveu um caso amenizado de poliomielite que a deixou com uma ligeira atrofia do lado esquerdo do corpo.

Entre o público mais leigo, que simplesmente ia ao cinema para se divertir, ou ver belas mulheres, ficou conhecida por seu atributo famoso - o par de pernas que foi assegurado por US$ 5 milhões, recorde devidamente registrado pelo Guiness Book.

Em sua autobiografia, conta que ficou tentada pelo cinema ao conhecer o estúdio da MGM. Sentia que aquele era um mundo de sonhos, que se contrapunha ao universo rígido e disciplinado do bailado clássico, onde vivia. Decidiu-se pelo sonho. E fez sonhar uma multidão de espectadores em sua época.

BELA DINAMITE

Ela era forte, ágil e “deslumbrante”, afirmou Larry Billman, um historiador do cinema e da dança. “Depois de anos em que as principais dançarinas de Hollywood eram graciosas e fofas, Charisse levou a dança a um patamar de maior sensualidade nos anos 1950”, afirmou Billman, em setembro de 2007, em entrevista ao jornal Los Angeles Times.

Astaire chegou a afirmar, sobre Charisse, que ela era a “bela dinamite” das telas. Em 1954, ela estrelou Para sempre em meu coração (Deep in my Heart), em que fez um dueto sexy com James Mitchell.

Embora, ocasionalmente, ela fizesse solos, “atuava em seu melhor quando estava ao lado de um parceiro”, disse Billman. “Ela tinha técnica e habilidade.” Em sua avaliação, enquanto as atrizes Marilyn Monroe e Sophia Loren dominaram em suas áreas de atuação, “Cyd imperava na dança”. “Ela personificou a sofisticação nessa arte.”

Em entrevistas, Charisse dizia que seus papéis no cinema eram como tirar férias, comparando com o trabalho árduo da dança, mas ela não era tentada a alterar suas prioridades. “Se eu tivesse de escolher entre atuar e dançar, eu escolheria continuar dançando”, afirmou em dezembro de 1952.

COM AP e EFE

   


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