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  Fiji, primeira escala do Brasil rumo a Pequim

Liderada por Iziane, seleção feminina de basquete estréia no Pré-Olímpico, última chance de ir à China. Ontem, o rival foi massacrado pela Espanha

Robson Morelli

Iziane, ou simplesmente Izi, deixou São Luís do Maranhão com 15 anos para jogar basquete no BCN, de São Paulo. Até hoje não conseguiu mudar a primeira impressão que teve da cidade: “São Paulo não te deixa descansar. Lá, as pessoas não vivem. Só pensam em trabalhar e se ocupar. Elas precisam estar sempre fazendo alguma coisa”, disse ao Estado. Iziane é a principal esperança da seleção brasileira feminina de basquete que estréia hoje no Pré-Olímpico da Espanha (12h15, com ESPN/Brasil). É a última tentativa da equipe de conseguir vaga para Pequim.

Izi cresceu com o basquete. Quando estava em São Paulo, não imaginava que um dia deixaria o Brasil. Deixou. Aquela menina esguia do bairro de Liberdade, em São Luís, ganhou o mundo. Foi morar na Espanha, em Lugo, cidade da Galícia, antes de se transferir para os Estados Unidos, inicialmente para Seattle e mais recentemente para Atlanta, onde defende o time local de basquete na WNBA. Tem contrato até setembro.

A maranhense mudou de vida e de mundo sem ter perdido a ternura e o sorriso largo no rosto arredondado. Parece feliz na seleção. Seu sonho é ajudar o basquete feminino a pegar o bonde para a China. Ela entra na quadra para enfrentar a equipe de Ilhas Fiji, que ontem perdeu para a Espanha por 113 a 42, na condição de principal jogadora do basquete brasileiro. Seu nome figura na revista distribuída em Madri pela Federação Internacional de Basquete para o Pré-Olímpico como a estrela do Brasil.

Mas, segundo ela mesma diz, sem a pressão de seguir a linhagem de Hortência, Magic Paula e Janeth, que representam o que o País formou de melhor nas últimas décadas. “Tenho noção do que represento hoje para o basquete do Brasil. Mas não sinto nenhuma pressão por parte do técnico Paulinho (Bassul) nem das outras meninas. Me cobro mais em quadra do que todos eles juntos.” Ontem mesmo soltou palavrão após errar duas tentativas de cesta - palavrão é coisa rara no grupo e na comissão técnica.

Na quadra, a ala Izi sempre foi a mais inquieta. Subia no banco para observar melhor o que as colegas estavam fazendo - sua altura é 1,82m. Bufava a cada cesta errada. “Já fui mais crítica comigo mesma. Hoje, sei que os erros fazem parte de uma partida. Quando a mão não está boa, é preciso inventar outra situação, confiar nas colegas e até mudar seu jogo”, diz, com maturidade surpreendente para seus 26 anos.

O discurso é lindo, mas Izi não é tão forte assim quando está jogando. É difícil para ela mudar seu estilo agressivo de jogo. Entre um toco e um chute, sempre vai preferir a jogada de ataque. Ela é assim. “Entre defender e atacar, vou sempre preferir a cesta’’, disse. “Gosto de chutar mesmo. O basquete é fazer cestas e não impedir que elas sejam feitas, embora técnicos modernos trabalhem mais suas defesas.”

Essa, para a ala do Atlanta Dream, é uma das diferenças entre Bassul e seu antecessor Antonio Carlos Barbosa no comando da seleção. “Todos querem ganhar. Mas o Barbosa ia mais para a cesta enquanto o Paulinho trabalha melhor a tática, a defesa, a postura do time na quadra. Confesso que o meu negócio é fazer cestas. Essa é a grande arte do basquete. É assim que vamos jogar no Pré-Olímpico: no limite sempre.”

Izi já defendeu a seleção 52 vezes e marcou 705 pontos. Do time atual, só fica atrás em cestas convertidas por Kelly (796 pontos em 106 partidas) e Micaela (819 em 81).

EQUIPE VERSÁTIL

Bassul define Iziane como “matadora’’. “Ela gosta de fazer cesta e é isso o que ela faz. Vai para cima e tem liberdade para ir mesmo. Seu negócio é definir as jogadas. Chutar é com ela’’, diz o técnico, confiante em ter montado uma equipe titular bastante versátil.

O técnico tem em Claudinha (armadora de 1,70m) a sua comandante na seleção brasileira: “É a nossa capitã, a mais experiente do time. É lúcida, líder, joga para a equipe. E é muito forte na marcação.”

A ala/pivô Êga (1,87 m) é voluntariosa, diz Paulo Bassul. “Tem muita raça e acredita sempre. Ela cresce nas dificuldades, vai para cima, se entrega totalmente.”

A também ala Michaela (1,80 m) é incansável. “Não aparece muito na partida, mas tem função fundamental em quadra. Ela pega a maioria dos nossos rebotes, nunca desiste de brigar pela bola. Salta bastante e é rápida”, analisa o treinador brasileiro, que tem na pivô Kelly (1,92 m) a guardiã do garrafão. “É pesadona e trabalha bem no garrafão. Tem força física para isso. Nos ajuda o tempo todo”, afirma Bassul.

   


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