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  Pequim investigará queda de escolas

Pais criticam governo pelo desabamento de 6.898 colégios, que podem ter sido construídos com material de má qualidade

Cláudia Trevisan

O terremoto que abalou a região central da China na segunda-feira colocou em xeque a qualidade da construção das escolas públicas no país, depois que milhares delas desabaram durante o horário de aula e provocaram o soterramento de milhares de crianças e adolescentes. O governo chinês iniciou ontem uma investigação para apurar se autoridades locais utilizaram materiais de baixa qualidade nos edifícios, depois que inúmeros pais se revoltaram com o fato de que em vários lugares as escolas desabaram, enquanto prédios vizinhos permaneceram em pé.

“Nossa filha não foi morta pelo terremoto. Ela e outros foram mortos por um edifício de péssima qualidade. As autoridades sabiam que ele não era seguro”, disse à agência Reuters Bi Kaiwei, que perdeu a filha de 13 anos.

Estimativas preliminares indicam que 216 mil edifícios desmoronaram na província de Sichuan, 6.898 dos quais eram escolas, muitas construídas recentemente. O terremoto de 7,9 graus na escala Richter foi o mais violento da China nos últimos 32 anos e ocorreu às 14h28 locais, quando as classes estavam cheias.

Em Dujiangyan, uma escola secundária desabou e 900 alunos foram soterrados. No condado de Qingchuan, 270 crianças morreram. No momento do terremoto, elas estavam no dormitório da escola primária onde estudavam.

Na vila de Wufu, a escola primária foi um dos únicos prédios derrubados pelo terremoto, provocando a morte de 300 crianças. Sete escolas vieram abaixo em Mianzhu e 1.700 alunos foram soterrados, segundo a agência oficial Nova China. Até agora, 1.300 corpos foram retirados dos escombros. Beichuan, um dos locais mais afetados pelo tremor, tinha pelo menos 700 alunos sob os escombros, mesmo número estimado para a cidade de Hanwang.

“Se realmente existiram problemas de qualidade na construção das escolas, nós vamos lidar com as pessoas responsáveis de modo severo e sem nenhuma tolerância, para dar uma resposta satisfatória à opinião pública”, afirmou à Nova China Han Jin, do Ministério da Educação. Na China, a punição pela eventual negligência deve ser a pena de morte.

Uma região próxima do epicentro do terremoto foi atingida ontem por um forte tremor secundário, de 5,9 graus na escala Richter, que provocou deslizamentos de terra e comprometeu o sistema de telecomunicações. Veículos foram soterrados e estradas interrompidas, o que afetou o trabalho das equipes de resgate.

CORRIDA CONTRA O TEMPO

Os 130 mil soldados envolvidos nas operações de busca correm contra o tempo para tentar encontrar sobreviventes sob os escombros. Especialistas afirmam que os três dias seguintes a um terremoto são o período crucial para o resgate de sobreviventes. Depois disso, as chances de que haja pessoas com vida se reduz drasticamente.

Ontem, o presidente Hu Jintao viajou à Província de Sichuan para acompanhar as operações de busca. O primeiro-ministro Wen Jiabao está desde segunda-feira na área atingida, coordenando os trabalhos de resgate.

“O desafio ainda é enorme, a missão é árdua e o tempo está acabando” afirmou Hu, segundo a agência Nova China. “O trabalho de resgate entrou em sua fase mais crucial. Nós devemos fazer todos os esforços, correr contra o tempo e superar todas as dificuldades para alcançar a vitória final nos trabalhos de socorro.”

O número de mortes confirmadas subiu ontem para 22.069, mas o governo chinês calcula que o total chegará a 50 mil.

   


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