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Amputado pode correr em Pequim
Atleta com prótese nas pernas obtém vitória em tribunal, e busca índice
Jamil Chade
Em decisão histórica, a Corte Arbitral do Esporte (CAS) deu autorização para que o atleta sul-africano Oscar Pistorius tente se classificar para os Jogos Olímpicos de Pequim, mesmo sem ter suas duas pernas. Os juízes, em anúncio feito ontem, deixaram claro que a medida vale apenas para o caso de Pistorius e que não abre precedentes para outros esportistas.
A polêmica ocorre diante do fato de o corredor usar duas próteses. A Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) havia anunciado em janeiro que Pistorius não poderia competir, já que a prótese lhe daria vantagem sobre os concorrentes. Feita de fibra de carbono, a Cheetah (nome do material) substitui a parte inferior das pernas, amputadas quando o atleta ainda era criança.
Hoje, com 21 anos, a vida esportiva de Pistorius ganha novo capítulo. “Agora terei a oportunidade de tentar meu sonho olímpico, se não for em 2008, mas em 2012”, afirmou o atleta. “Estou em êxtase, a batalha foi longa e a vitória, não apenas minha, mas do esporte”, prosseguiu, eufórico. “É um dia que entrará para a história.”
Segundo os juízes, a Federação de Atletismo não provou que as regras das competições estavam sendo violadas, nem que a prótese dava vantagem ao atleta sobre os rivais. “Os juízes não se convenceram de que há evidências suficientes de que as próteses Cheetah Flex-Foot dêem qualquer vantagem metabólica”, afirmou o tribunal em sua decisão, lembrando que o atleta usa os instrumentos desde criança. Pistorius não tem muito tempo para tentar a classificação - até o fim de julho. Ele vai dar prioridade aos 400 m, prova em que tem mais chances. E, mesmo sem índice, pode ser chamado como suplente da equipe sul-africana do revezamento 4x400 m.
Pistorius conquistou o ouro nos 200 m da Paraolimpíada de Atenas-2004. Detém o recorde para deficientes dos 100 m, 200 m e 400 m. E já competiu em provas para atletas sem problemas físicos.
PRECEDENTE
A própria CAS admite que o resultado do julgamento provocará grande polêmica. Os juízes, assim, fizeram questão de anunciar que a decisão não vale para outros casos de pessoas amputadas e que usem prótese. A autorização também não significa que todas as próteses sejam consideradas legais. Cada caso, segundo o tribunal, precisa ser avaliado individualmente.
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