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  Resultados de Carolina do Norte e Indiana sepultam chances de Hillary

Derrota faz senadora perder apoios importantes; analistas já consideraram Obama o candidato democrata

Patrícia Campos Mello

O Partido Democrata, de acordo com a maioria dos analistas, jornais e redes de TV dos EUA, já tem um candidato às eleições presidenciais de novembro: o senador Barack Obama. Depois de uma vitória convincente na Carolina do Norte e uma derrota apertada em Indiana na terça-feira, sua rival, a senadora Hillary Clinton, tem apenas remotas chances matemáticas de derrotá-lo.

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“A viabilidade da candidatura de Hillary sofreu um sério golpe”, disse ao Estado Brian Vargus, professor de Ciência Política da Universidade de Indiana. “Agora, várias figuras de liderança do partido pedirão que ela desista. Hillary pode até demorar um pouco, mas sem dinheiro e sem apoio dos superdelegados não terá como continuar.”

Ontem, a candidatura de Hillary começou a naufragar. George McGovern, um ex-senador e ex-candidato à presidência nos anos 70 que tinha estreita ligação com Hillary, anunciou que mudou de lado e pediu que ela abandone a disputa. “É virtualmente impossível que Hillary ganhe a indicação”, disse.

Se a deserção de McGovern não influiu no placar geral - ele não é um superdelegado -, a de Jennifer McClellan foi emblemática. Integrante do Partido Democrata da Virgínia, até então comprometida com a senadora, a deputada e superdelegada anunciou ontem que passará para o lado de Obama.

Assim, a vantagem de Hillary entre os superdelegados caiu ontem para 11. Essa contagem é cada vez mais importante porque restam apenas seis primárias e nenhum dos dois conseguirá os 2.025 delegados necessários para a nomeação. Por isso, ganha quem tiver apoio dos superdelegados - membros do partido com direito a voto na convenção. Hillary precisava de uma vitória convincente em Indiana (onde triunfou por apenas 2 pontos porcentuais) e de um bom desempenho na Carolina do Norte (onde perdeu por 14 pontos) para persuadir os superdelegados.

Após os resultados de terça-feira, vários comentaristas de TV fizeram obituários da campanha de Hillary. “Agora sabemos quem é o indicado”, disse Tim Russert, da NBC. “Depois de ontem (terça), a impressão é de que Obama venceu”, afirmou Chris Wallace, da Fox News. David Gergen, da CNN, foi enfático: “Acho que até aqueles que trabalham na campanha de Hillary sabem que a disputa terminou.”

Hillary, porém, garantiu que não desiste. “Vou continuar na disputa até que haja um indicado”, disse ela ontem à tarde após comício na Virgínia Ocidental, local da próxima primária, dia 13. Segundo a matemática da senadora, agora a corrida só termina quando alguém alcançar o número de 2.209 delegados. O novo número, inflado pela campanha de Hillary, leva em conta os delegados de Michigan e Flórida.

Os comitês democratas nesses Estados foram punidos pela direção nacional do partido por terem antecipado suas primárias e não terão direito a levar delegados à convenção. No entanto, como não há como alcançar Obama, os dois Estados tornaram-se a única saída para Hillary. Ela venceu as primárias em ambos - mas não houve campanha em nenhum deles e o nome de Obama nem sequer constou na cédula em Michigan.

Levar esses delegados para a convenção diminuiria a diferença entre os dois. No dia 31, o comitê de regras do partido se reúne para decidir o que fazer com os delegados dos dois Estados. Para muitos analistas, Hillary tem forte influência sobre pelo menos a metade desse comitê.

Uma das opções seria forçar uma mudança nas regras do jogo, validando as primárias de Michigan e Flórida. Essa virada de mesa está sendo chamada de “opção nuclear”, porque, embora servisse para evitar a derrota para Obama, dividiria o partido e tornaria inviável a candidatura da própria senadora.

   


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