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Acordo adia reajuste de ônibus em SP
Com aumento no contrato das empresas de 4,24%, tarifa só subirá após as eleições, de R$ 2,30 para R$ 2,50
Diego Zanchetta, Eduardo Reina e Marcela Spinosa
Após quase três meses de negociações com a gestão Gilberto Kassab (DEM), os empresários de ônibus conseguiram ontem, em meio à ameaça de paralisação geral dos ônibus a partir de terça-feira, a promessa de receber do governo um reajuste de 4,24% sobre o contrato entre a Prefeitura e as empresas. O aumento incidirá sobre os valores pagos por passageiro transportado - de R$ 1,29 para R$ 1,31, dependendo da região da cidade - e vai segurar a elevação da passagem de ônibus até o fim das eleições de outubro.
A previsão agora é de que as tarifas de ônibus na capital subam entre 8% e 10% na segunda quinzena de novembro, provavelmente de R$ 2,30 para R$ 2,50. O último reajuste foi em novembro de 2006. Segundo o secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, os empresários pediram, há 45 dias, um reajuste na tarifa, o que foi negado pelo governo.
O presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores no Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), Issão Hosgei, é contra o aumento da tarifa. “A demanda de passageiros aumenta a cada dia. O transporte coletivo não é de qualidade. Os empresários tinham de baixar o preço da passagem.”
Moraes também tentava nos últimos dois meses reduzir de 4,24% para 2% o reajuste sobre o contrato com as viações. “Sobre aumento da tarifa não tem nada decidido. O aumento dos 4,24% está previsto na data-base do contrato.”
A negociação entre os empresários e a Secretaria de Transportes só avançou ontem, após a paralisação, entre 11 e 14 horas, de 70% da frota. O Sindicato dos Motoristas de Ônibus pleiteia reajuste salarial de 10,36% para a categoria. Em assembléias nas garagens espalhadas pela capital paulista, a categoria recusou a proposta dos patrões de 4,36%. Nova assembléia ocorre amanhã e, se não houver acordo, os motoristas e cobradores entrarão em greve à zero hora de terça.
Mas logo após a paralisação, no início da tarde, os sindicalistas já estavam sentados à mesa de negociação com o secretário de Transportes e os empresários. Os empresários vincularam qualquer reajuste maior às mudanças no contrato com o governo municipal. Querem ainda que a Prefeitura mantenha os R$ 37 milhões mensais pagos de subsídios pelas gratuidades - até junho de 2007, eram R$ 27 milhões.
Para este ano, o orçamento do Município prevê R$ 350 milhões em subsídios, valor que pode ser suplementado. As viações reclamaram também do aumento no preço de óleo diesel e alegaram que a Prefeitura não cumpriu a promessa de construir cinco corredores de ônibus no ano passado.
Das faixas exclusivas que seriam instaladas nos percursos Corifeu/Jaguaré/Faria Lima, São Miguel/Celso Garcia/Centro, Berrini, Brás Leme e Indianópolis/Brasil/Sumaré, só as da Celso Garcia e da Faria Lima foram consolidadas. O secretário também classificou como “política” a paralisação dos condutores, mas evitou criticar os empresários.
Segundo dados da SPTrans, em março as empresas obtiveram R$ 290,9 milhões somente com passageiros registrados - exceto as gratuidades e as integrações com metrô, trens e trólebus. Já a remuneração repassada aos transportadores no mesmo mês foi de R$ 323,5 milhões, quando foram transportadas 235,2 milhões de pessoas, ou 9,3 milhões por dia.
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