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  Valores familiares passam correndo por Speed Racer

Inspirado em personagem dos anos 60, filme de US$ 100 milhões que estréia amanhã é viagem artística dos Wachowski

Franthiesco Ballerini

Distantes da direção desde o fim da bilionária trilogia Matrix, os irmãos Wachowski voltam à cena no comando da adaptação do clássico desenho dos anos 60, Speed Racer, que tem estréia mundial amanhã. A produção de US$ 100 milhões, que chega a cerca de 550 salas do Brasil, foi feita quase inteiramente diante de uma tela verde num estúdio em Berlim. 'Os diretores sabiam o que queriam, mas a gente custava a entender, pois tudo foi acrescentado depois no computador. Meu papel era o mais chato de todos, mas me diverti em Berlim', disse ao Estado Susan Sarandon (a mãe de Speed Racer) no lançamento do filme, em Los Angeles.

link Assista ao trailer de Speed Racer

O elenco praticamente só viu o resultado de suas atuações na apresentação para a imprensa. Ficaram surpresos com a viagem artística dos irmãos Wachowski, que vai além do experimentalismo visual de Matrix. Em Speed Racer, o colorido é retrô-futurista, como um parque de diversão. 'É para parecer quase uma animação', diz o produtor Joel Silver.

Os carros do desenho foram modernizados e as pistas de corrida incluem de geleira a desertos, nas quais os carros voam. Algumas seqüências duram mais de cinco minutos, com carros saltando e explodindo. 'Eu ficava cerca de duas horas dentro do protótipo do carro para rodar as cenas e usava a raiva de ficar lá preso a favor do personagem, fazendo cara de mau', conta Emile Hirsch, o Speed Racer, que tentou trabalhar com os irmãos em Matrix, mas não passou no teste e agora tem contrato para mais duas seqüências de Speed Racer, que dependem do sucesso de bilheteria para serem feitos.

Criado nos anos 60 pelo cartunista japonês Tatsuo Yoshida, Speed Racer (Mifune em japonês) é a história de um garoto (Speed Racer) que participa de corridas audazes, nas quais os concorrentes tentam sempre jogar sujo. Sua sorte é ser dono de um carro, o Mach 5, criado pelo pai, cheios de defesas contra os inimigos, como rajadas de fogo, bolas de aço e molas propulsoras, além de um motor incrível.

A intenção dos Wachowski foi acrescentar uma trama família ao cartum. Rex Racer (Scott Porter) é um lendário piloto, filho de pais que constroem carros de corrida (Susan Sarandon e John Goodman). Tido como morto num acidente, ele vira ídolo do irmão mais novo, Speed Racer (Emile), que herdou o talento para corridas. No elenco, Christina Ricci vive Trixie, a namoradinha de Speed, e Matthew Fox - o Jack da série Lost - é Racer X, lendário corredor que carrega um mistério. 'Os irmãos viajaram o mundo captando imagens de prédios e paisagens naturais para o filme. O visual e os valores familiares eram as duas maiores preocupações deles', conta o ator John Goodman.

Alguns espectadores não vão notar - pois o logo da empresa passa tão rápido quanto os carros -, mas a Petrobrás aparece no filme. Trata-se de uma parceria entre a estatal brasileira e os produtores, na qual a Petrobrás investiu R$ 1 milhão na divulgação do filme no Brasil. Em troca, aparece em duas cenas que duram, no total, três segundos (leia ao lado entrevista com Joel Silver). 'A exibição está compatível com o volume investido. A presença da Petrobrás está pulverizada em diversas ações e o filme é uma parte delas', defende Luís Antônio Vargas, gerente de Publicidade da empresa.

Os Wachowski fizeram também parcerias com outras empresas mundiais ligadas a carros, como a japonesa Yokohama. Ficaram satisfeitos com o resultado, mas isso a imprensa só consegue saber por produtores como Joel Silver, já que eles não dão mais entrevista desde Matrix.

O sumiço dos irmãos pode ter relação com comentários de que Larry Wachowski seria, hoje, Lana Wachowski. Segundo imagens na internet, Larry teria feito cirurgia para mudar de sexo. Não é a primeira vez que provocam polêmica. Em 2002, Larry se casou com Karin Winslow, uma dominatrix profissional, (mulheres que dominam homens por meio de fantasias sexuais). Elenco e produtores negam a cirurgia. 'Dar entrevista é a parte do filme que eles não gostam. Kubrick também não gostava. Mas eles ligam o tempo inteiro para saber se a divulgação está dando certo', diz Joel Silver. Para um filme-família, é melhor mesmo essas polêmicas ficarem lá para trás na corrida pelos milhões de espectadores.

   


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