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Instituto do Câncer abre parcialmente
Na primeira etapa, apenas os pacientes que já se tratam no HC, em São Paulo, terão atendimento no complexo
Emilio Sant’Anna
O hospital que os paulistanos se acostumaram a ver inacabado na Avenida Doutor Arnaldo, zona oeste de São Paulo, finalmente vai ser inaugurado nesta terça-feira. Foram 19 anos de espera, 5 governadores à frente das obras e 3 projetos diferentes para que o Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira receba seus primeiros pacientes nesta semana. Desde a retomada das obras, no governo Alckmin, o complexo consumiu R$ 270 milhões. Antes disso, a Secretaria de Estado da Saúde não tem informação de quanto foi gasto.
Serão 580 leitos - 84 de UTI e 420 para internação, além das vagas para observação e hospital dia - divididos nos 23 andares do prédio espelhado ao lado do Instituto Adolfo Lutz e do Hospital Emílio Ribas. Isso quando o hospital estiver funcionado com 100% de sua capacidade. Por enquanto, serão abertos dois andares de consultórios, o andar de quimioterapia ambulatorial, a área administrativa e auditórios, além de dois andares técnicos e três dos quatro pavimentos do subsolo. O número de leitos triplica a capacidade da capital em vagas oncológicas.
O instituto deve ser aberto em três fases. Nessa primeira etapa, apenas os pacientes que já se tratam no Hospital das Clínicas (HC) serão atendidos. Até o final de 2008, os leitos de internação e parte do centro cirúrgico começarão a funcionar. “Até o final do próximo ano, tudo estará funcionando”, afirma Giovanni Guido Cerri, diretor do instituto. “Nenhum hospital com esse tamanho pode ser inaugurado com sua capacidade total.” Quando estiver em pleno funcionamento, o centro poderá realizar por mês 1,3 mil cirurgias e 33 mil atendimentos ambulatoriais. Como é um hospital de alta complexidade, o atendimento será feito apenas de forma referenciada. “Este não é um hospital de ‘portas abertas’. É para pacientes com câncer já identificado nos hospitais da rede”, diz Cerri.
O Instituto do Câncer será administrado pela Fundação Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O modelo proposto pela secretaria é semelhante ao utilizado nos 21 hospitais administrados pelas Organizações Sociais de Saúde (OSSs) no Estado, com número mínimo de procedimentos e teto para a remuneração. O custo anual previsto do instituto é de R$ 200 milhões.
Isso, no entanto, ainda não parece certo. De acordo com o presidente do conselho deliberativo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Marcos Boulos, o contrato de gestão ainda não foi assinado. “Uma empresa foi contratada para levantar os custos anuais”, diz. A expectativa é que até o próximo mês o contrato esteja formalizado. “A inauguração vai ser feita com a fundação à frente do hospital e o repasse será feito mesmo sem o contrato”, completa Boulos.
PESQUISA
O instituto será o primeiro centro de pesquisas da América Latina a desenvolver estudos com uma técnica de diagnóstico por imagem chamada “molecular imaging”. O procedimento permite investigar as alterações moleculares dos tumores e mapear a predisposição para o desenvolvimento da doença. Parcerias com outros centros de pesquisa também estão previstas. “As parcerias com o Hospital A.C. Camargo, Sírio Libanês e Hospital do Coração estão bem avançadas”, afirma Cerri.
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