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Plano eleitoral anima trio na CPI dos Cartões
Só 3 oposicionistas analisam papéis
Criada com estardalhaço em meados de março, a CPI dos Cartões sobrevive hoje graças ao empenho de um trio de deputados de oposição. Animados por projetos eleitorais, Carlos Sampaio (PSDB-SP), Índio da Costa (DEM-RJ) e Vic Pires Franco (DEM-PA) são incansáveis na busca de gastos irregulares com cartão corporativo. Os três se revezam na análise de centenas de caixas com documentos, que ficam numa sala subterrânea do Senado, mais conhecida como “batcaverna”. Tentam também extrair alguma novidade dos documentos em poder do Tribunal de Contas da União com os gastos feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a visibilidade ganha na CPI, o trio espera aumentar o cacife eleitoral. O mais empenhado é Índio da Costa, único novato dos três em CPI. Afilhado político do prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), Índio sonha ser indicado para disputar a sucessão de seu mentor nas eleições de 5 de outubro. Afinal, a preferida do prefeito - deputada Solange Amaral (DEM-RJ) - não está bem nas pesquisas de intenção de voto.
Sampaio, que ficou conhecido em 2005 por sua atuação na CPI dos Correios, é pré-candidato à Prefeitura de Campinas. Relator da emenda à Constituição, em 1996, que permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, Vic Franco não tem planos eleitorais a curto prazo, mas sua mulher, Valéria, é pré-candidata à Prefeitura de Belém. Esta é a segunda comissão de inquérito em menos de um ano de que Vic participa: em 2007, ele integrou a CPI do Apagão Aéreo.
Os parlamentares da base aliada vão no sentido inverso dos “três mosqueteiros”. O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), não está nem um pouco preocupado em examinar a papelada enviada pelo próprio governo à comissão. “Não vou entrar nessa guerrinha de ficar procurando nota fiscal”, argumenta, referindo-se aos comprovantes com gastos suspeitos.
Mesmo sem olhar as caixas de documentos, Luiz Sérgio promete entregar seu parecer no fim do mês. Antecipou que não pretende pedir o indiciamento de ninguém e diz que fará um “relatório propositivo” com sugestões para a melhoria do uso dos cartões. Já avisou que dificilmente vai incorporar a seu parecer as descobertas de Sampaio, que é sub-relator de Sistematização, e Índio da Costa, encarregado da sub-relatoria de Fiscalização.
A última reunião ocorreu no dia 16 de abril, quando foi aprovado requerimento que permitiu o acesso da oposição aos dados sigilosos em poder do TCU. Só deve haver nova reunião no dia 27.
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