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Rebelde que seqüestrou Ingrid se diz arrependido
Desmobilizado, guerilheiro das Farc envia carta a Sarkozy pedindo perdão por captura de refém
Associated Press
Mais de seis anos depois, Nolberto Uni recorda-se claramente do dia em que seqüestrou a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt. Em 23 de fevereiro de 2002, Ingrid estava viajando num jipe fazendo campanha eleitoral, enquanto Uni, então combatente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), estava num posto de controle numa estrada rural deserta.
“A ordem era deter todos os políticos de importância nacional”, disse Uni, na terça-feira, em uma prisão de segurança máxima. Segundo ele, o fato de Ingrid, uma das figuras políticas mais conhecidas da Colômbia, ter passado por ali “foi uma coincidência”.
Ele diz que Ingrid pensou em princípio que os guerrilheiros que tinham parado seu veículo eram soldados do Exército. Depois de falar pelo rádio com seu comandante para informar a captura da ex-candidata e sua assistente Clara Rojas, ele disse a Ingrid que ela estava detida.
“O rosto dela mudou de cor”, disse Uni, de 36 anos. “Ela não falou nada.”
Naquele momento, um guerrilheiro pisou numa mina terrestre, que arrancou seu pé. Só então, Ingrid e Clara se deram conta da situação. Uni disse que seu bloco das Farc manteve as duas reféns sob seu poder por oito ou nove meses. “Elas eram vigiadas por 20 ou 30 guerrilheiros”, disse. “Um dia, às 5 horas da manhã, elas escaparam.” A fuga durou apenas meio dia até que os guerrilheiros as encontraram e as levaram de volta ao acampamento. “Foi então que os pés delas foram presos por correntes.”
Uni foi criado em uma região pobre no sul da Colômbia e disse que se juntou aos guerrilheiros aos 15 anos por falta de melhores perspectivas.
Aos poucos, ele subiu na hierarquia das Farc, tornando-se parte do corpo de segurança do líder máximo da guerrilha, conhecido como Manuel Marulanda ou “Tirofijo” (Tiro Certeiro). Uni, porém, cansou-se da vida nas Farc, sentindo que os guerrilheiros haviam abandonado suas raízes ideológicas e estavam tornando-se muito presos às normas.
Em 2003, ele fugiu com outros seis guerrilheiros. Uni se entregou às autoridades e começou uma vida nova em Bogotá como guerrilheiro desmobilizado, mas omitiu seu envolvimento no seqüestro de Ingrid e Clara - esta última, libertada em janeiro.
O ex-rebelde foi delatado por um guerrilheiro e condenado a 34 anos.
Uni disse lamentar o papel que exerceu no seqüestro dela. “Sinto remorso”, disse. “A família - sua mãe, seus filhos, seu marido - um monte de gente está sofrendo.” Foi o remorso que o levou a escrever uma carta para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, na qual pede desculpas pelo ocorrido e detalha os motivos da sua decisão de abandonar as Farc.
No começo do mês, Sarkozy lançou uma missão humanitária para tratar da saúde da refém ou resgatá-la depois de receber informações de que seu estado de saúde era grave. Mas a delegação voltou depois que as Farc disseram que não soltariam reféns unilateralmente.
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