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  Loja cria fórmula para venda consignada

Até objeto usado pode ser comercializado

Valéria França, SÃO PAULO

Os paulistanos acabam de ganhar uma loja diferente de tudo que tem por aí. Inaugurada há duas semanas, na Rua Augusta, região central da cidade, a Endossa é o primeiro espaço aberto aos microempreendedores, como estilistas e artistas plásticos, que não têm onde vender. E até mesmo para aquele paulistano interessado em passar para a frente objetos usados, mas descolados e em ótimo estado.

Antes de abrir, já havia uma movimentação em torno da loja. Todas as noites, os donos ficavam trabalhando com as portas de vidro fechadas, mas as luzes acesas. O movimento chamava a atenção de quem transitava no quarteirão entre as Ruas Matias Aires e Antônio Carlos. “Quando abrimos ninguém entendeu nada”, diz um dos sócios, Rafael Santos Porto, de 25 anos. O que o público encontrou no primeiro dia foi um monte de canecas brancas, todas iguais, expostas em nichos de madeira. “As pessoas perguntavam para que um espaço tão grande se só havia um tipo de caneca na loja.”

Pouco a pouco, as canecas foram substituídas por uma variedade de produtos. Roupas, acessórios, luminárias e até objetos de decoração estão expostos em caixas brancas de madeira, a peça-chave da loja. Há 150 delas, a maioria afixada nas paredes e algumas dispostas no chão. “Alugamos as caixas e as pessoas vendem o que querem”, explica Porto. As taxas de locação variam de acordo com a metragem dos nichos. A menor (de 0,06 m²) custa R$ 100, e a maior, R$ 350 (1,69m²). O valor dá ao cliente o direito de explorar o espaço por 28 dias. Fora o aluguel, são cobradas apenas as taxas do cartão de débito e crédito.

“Quando deixo minha mercadoria em consignação, em geral o proprietário da loja dobra o preço do meu produto ”, diz Simone Etike, fotógrafa especializada em moda, que confecciona carteiras e bolsas de pano. Sua marca, a Pon-Pon, faz sucesso em feiras como o Mercado Mundo Mix, que acontece apenas três vezes por ano.

Formado em Propaganda e Marketing, Porto montou a loja com dois amigos de faculdade. “A loja funciona como um grande portal ou um blog. Quem dá a cara são os usuários. O mesmo acontece aqui. O perfil da loja será determinado pelos nossos expositores”, diz Porto.

Não há critérios de seleção dos expositores. “Aceitamos tudo. O produto precisa apenas ter boa saída.” E isso começa a ser exigido a partir do terceiro aluguel, quando o expositor deve faturar em vendas uma soma igual a um mês de locação. Em última instância, quem decide que tipo de mercadoria deve ficar na loja é o freguês, ao comprar ou não o produto das caixas. A loja oferece de tudo, desde artigos de brechó a marcas alternativas conhecidas entre o público mais antenado.

Onde fica: Rua Augusta, 1.360, todos os dias, do meio-dia às 20 horas

   


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