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A visão da inflação do Banco Central
O Relatório de inflação do primeiro trimestre do ano, divulgado anteontem pelo Banco Central (BC), confirma e até reforça a possibilidade de um reajuste para cima da taxa Selic.
A análise do BC se baseia nos resultados de 2007 em relação a 2006 e nos primeiros resultados alcançados neste ano. De um modo resumido, pode-se dizer que o inimigo da estabilidade dos preços é o crescimento do consumo impulsionado, no ano passado, por fatores que continuarão a impulsioná-lo neste ano.
O BC reviu sua previsão para o crescimento do PIB de 4,5% para 4,8% e para a inflação medida pelo IPCA de 4,3% para 4,6%, valor superior ao centro da meta de 4,5%.
Os fatores que em 2007 contribuíram para elevar o consumo das famílias de 6,5% (aumento da massa salarial, expansão de crédito e dos alongamento dos seus prazos) deverão subsistir em 2008.
Ao aumento do consumo outros impulsos inflacionários se somarão: aumento do preço das commodities, aversão ao risco, elevação do preço dos bens importados, etc.
Neste contexto, o BC considera inevitável uma elevação da taxa Selic, acentuando a diferença de visão em relação à da equipe econômica e colocando Lula em situação desconfortável, na medida em que este deu prioridade ao consumo como mola de crescimento, porém com controle da inflação, o que contribuiu muito para a sua popularidade.
Se realmente uma elevação da taxa de juros básica é inevitável, a questão é saber se no contexto atual será eficiente. A primeira dúvida diz respeito à meta da inflação, já que o BC considera o centro da meta e não a margem prevista pelo Conselho Monetário Nacional.
Na sua análise das causas das pressões inflacionárias, o próprio BC reconhece a importância de fatores externos, que uma elevação da taxa básica de juros não eliminará.
Os consumidores brasileiros estão acostumados a um custo elevado do crédito, herança do tempo da inflação, e sabe-se que os bancos não esperam uma decisão do Copom para aumentar seus juros.
É possível, no entanto, que o consumo das famílias seja contido por um aumento dos preços das mercadorias, uma vez que se elevem os preços dos produtos importados.
Cabe ao Copom acompanhar a evolução da economia antes de tomar uma decisão e levar em conta a observação do presidente do Federal Reserve Bank da Filadélfia, segundo a qual “a estabilidade de preços não é um objetivo válido por si mesmo”.
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