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Prazo acima de cinco anos para venda de carro é desestimulado
Financeiras e lojas revêem condições de financiamento para diminuir risco de inadimplência
Cleide Silva e José Henrique Lopes
Não é só o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que não vê com bons olhos os prazos excessivamente longos para financiar a aquisição de um carro. Financeiras e revendedores estão desestimulando o parcelamento além de 60 meses (cinco anos), em parte para evitar riscos de inadimplência e também porque não há adesão significativa do consumidor aos planos acima de sete anos (84 meses).
“Estamos desestimulando as prestações mais longas, que vão além dos 60 meses”, afirma Dirceu Variz, diretor da Finasa, uma das maiores financeiras do País, pertencente ao Bradesco. Segundo ele, planos de 72 a 84 meses são oferecidos só em casos específicos, e para carros novos, decisão tomada antes mesmo da declaração de Mantega no início da semana.
O ministro chegou a cogitar de o governo limitar os financiamentos a no máximo 36 meses, mas depois voltou atrás. Em um feirão permanente de carros aberto ontem na zona leste de São Paulo, patrocinado pela Finasa, o prazo oferecido vai até cinco anos, com juros a partir de 0,89% ao mês. O feirão será mantido por seis meses.
Luciano Ruiz, gerente da Granleste Veículos, concessionária que mantém estande no feirão, afirma que a redução nos prazos permite selecionar melhor o perfil do cliente. “É a melhor forma de minimizar o risco de inadimplência.” A loja trabalha com prazos que variam entre 48 e 60 meses, com juros de 1% ao mês.
Para Ruiz, é por causa da facilidade do crediário que o mercado de automóveis está aquecido. Caso o governo resolva interceder e limitar os prazos, ele acredita que poderá haver corrida às concessionárias para antecipar compras.
Já Claudio Larrosa, da Auto Sports Multimarca, considera que as revendas extrapolam na concessão de prazos longos. “Comprar carro em 99 meses é uma loucura”, diz. “O cliente compra sem pensar no tamanho da dívida que está contraindo. Como às vezes não paga nem a entrada, pensa que a parcela pequena caberá no bolso.”
Com as chaves de um Fiat Palio nas mãos, o supervisor de telemarketing Bruno Santos rodava ontem pelo feirão em busca de outro carro. As parcelas de R$ 690 que deverá pagar pelos próximos quatro anos estão pesando na renda mensal.
“Quero trocar por um modelo mais barato, com condições de pagamento melhores”, diz Santos. Ele quer dar o carro atual, adquirido por R$ 34 mil, como entrada e comprar outro com parcelas abaixo de R$ 500.
Romeu Bech, representante da revenda Astra Veículos, chama isso de “compra com emoção”. Para ele, o cliente compra o carro motivado por um impulso, sem estudar a melhor situação para a compra. “Só depois a pessoa vai pensar no que fez.”
Em outro feirão que ocorre só neste fim de semana, organizado pela Renault no estacionamento do shopping Lar Center, na zona norte de São Paulo, há ofertas de até 72 meses para o financiamento.
Um modelo Logan, que custa a partir de R$ 28.990, pode ser adquirido com 53% de entrada e 72 parcelas de R$ 299. Todos os modelos da marca também podem ser adquiridos sem entrada e em 60 prestações, com o primeiro pagamento daqui a três meses. A montadora tem 2 mil carros em oferta, entre novos e seminovos.
O Banco Sofisa, o primeiro a fazer uma promoção com prazos de 99 meses no ano passado, hoje opera com no máximo 60 meses. A Ford, que lançou a opção de financiamento com 84 prestações, até mantém a oferta, mas deixou de fazer propaganda desse plano.
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