| |
Comores retomam ilha e líder foge vestido de mulher
Rebelde deposto está em área francesa, diz governo
Anjouan, Comores
Tropas do Exército do Arquipélago de Comores retomaram ontem o controle da Ilha de Anjouan, que estava desde 2001 sob domínio de um grupo rebelde. Desde 1975, quando se tornou independente da França, o país enfrenta uma série de golpes e tentativas de golpe.
Com ajuda de tropas da União Africana, as forças comorenses invadiram a ilha na madrugada de ontem e derrubaram o líder rebelde Mohamed Bacar - que, segundo o governo, fugiu disfarçado de mulher para a Ilha de Mayotte, uma possessão francesa.
“A Ilha de Anjouan está sob controle total do Exército. Até agora, não há informações de mortos ou feridos”, afirmou o major Ahmed Sidi. Até ontem à noite, pelo menos três importantes partidários de Bacar tinham sido presos, de acordo com informações do governo.
Desde cedo, Anjouan, uma das três ilhas do arquipélago no Oceano Índico, foi tomada por tiros e explosões. Centenas de tropas comorenses, apoiadas por 1.350 soldados da União Africana, tomaram rapidamente a capital, Mutsamudu, e outras importantes cidades. Centenas de pessoas saíram às ruas comemorando a chegada das tropas do governo, gritando “Bacar é um cachorro!”
Na segunda-feira, os habitantes da ilha já haviam sido alertados sobre a operação militar contra os líderes rebeldes.
Apesar de o governo de Comores - país de 700 mil habitantes - ter comemorado o sucesso da operação, a agência de notícias Associated Press afirmou que, perto da capital, rebeldes ainda controlavam algumas áreas.
GOLPE
Bacar tomou o poder em Anjouan após um golpe em 2001. Um ano depois, ele foi eleito presidente da ilha. Em 2007, sua reeleição foi declarada ilegal pelas autoridades de Comores. Há meses, o governo do arquipélago e os membros da União Africana vinham advertindo Bacar sobre a iminência de uma invasão.
A ação militar, no entanto, não foi apoiada por todos os líderes africanos. O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, criticou a decisão de retomar Anjouan à força, qualificando-a de “infeliz”.
“Esse tipo de decisão apenas leva Comores de volta ao uso da força para resolver um problema que poderia ter sido solucionado por meio de negociações”, disse Mbeki a uma emissora de TV sul-africana. Segundo o líder da África do Sul, Bacar havia enviado uma mensagem a seu governo, prometendo eleições em dois meses.
Um dos países mais pobres da África, Comores têm um índice de desemprego de 14,3%. Em 2007, a economia encolheu, com o PIB caindo 1%. Apesar de a agricultura ser a principal atividade econômica do arquipélago - empregando cerca de 80% da força de trabalho -, Comores são obrigadas a importar boa parte de seus alimentos, como arroz. AP, AFP E REUTERS
|