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Sábado, 22 março de 2008   edições anteriores
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  Paulista protesta ao lado de monges

Natascha Mendes: estudante de budismo na Índia; Brasileira que vive em Dharamsala, onde está exilado o dalai-lama, relata revolta e indignação de tibetanos

Jamil Chade, GENEBRA

Natascha Hollack Leite Mendes saiu de São Paulo em meados do ano passado com um sonho: estudar o dharma e meditar na Índia entre os monges budistas em Dharamsala, capital do governo do Tibete no exílio. Aos 32 anos, mãe de um filho, Natascha diz que se deparou com algo que não esperava: protestos, tristeza e muita indignação por parte da população que sofre com o regime chinês. “Isto aqui se transformou nos últimos dias no olho de um furacão”, disse a paulistana, por telefone, ao Estado. Ela afirmou ter conseguido matricular o filho numa escola em que estudam crianças tibetanas. Das sessões de meditação, ela logo passou aos protestos. “A situação aqui é tensa e triste. O comércio não abre, a não ser o dos indianos. A tristeza predomina entre a população. A situação aqui está prestes a explodir”, afirmou.

As manifestações estão aumentando?

Os protestos são cada dia maiores por aqui, embora sejam pacíficos. Os monges saem para as passeatas com roupas de cerimônia. Os primeiros da fila levam uma enorme foto do dalai-lama. Os outros carregam instrumentos de rituais que só são mostrados nas cerimônias. As manifestações também são compostas de pessoas levando faixas e fotos de tibetanos mortos na China. Muitas coisas não são mostradas na TV, mas aqui vemos fotos de tortura trazidas de forma ilegal. Por isso decidi participar todos os dias dos protestos, caminhando com uma vela pelas ruas da cidade.

Como tem sido o comportamento do dalai-lama?

O dalai-lama tem falado com freqüência ao povo. Além disso, ele tem dado muitas entrevistas. À noite, todo mundo se reúne no templo principal para ouvir o que ele pensa da situação atual. Acendemos velas e esperamos em silêncio ele começar a falar.

Ele ameaçou renunciar se a violência continuasse...

Ele disse que renunciaria se as mortes continuassem, pois o que ele sempre pregou para o mundo foi compaixão e paz. Ele alertou que os protestos estavam muito agressivos e, se continuassem assim, isso seria suicídio. Mesmo assim, ele recebeu um telefonema do Tibete e da resistência de lá: “Por favor, não nos peça para parar.”

O que dizem os tibetanos que vivem aí sobre a repressão da China?

Muitos não podem nem ouvir falar da China. Muitas das pessoas que eu conheci aqui chegaram pelas montanhas, a pé, com bebês no colo, cruzando a fronteira com a Índia e fugindo dos chineses. Agora entendo o que queriam realmente dizer com o movimento “Free Tibet”. É quase impossível ter compaixão pelo regime chinês. Praticamente todos os dias há um novo tibetano chegando aqui a Dharamsala, na condição de refugiado.

   


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