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SP tem deficiência de mão-de-obra
Estudo mostra que 42% da população ativa no Estado é analfabeta ou não concluiu o ensino fundamental
Marcelo Rehder
No Estado mais rico do País, a falta de treinamento profissional não é o único problema para a escassez de mão-de-obra especializada. Pesquisa divulgada ontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) revelou que 42% da População Economicamente Ativa (PEA) do Estado de São Paulo, com idade entre 15 e 65 anos, é analfabeta ou não completou o ensino fundamental.
A ausência do ensino básico é maior nas faixas de idade mais elevada. Na faixa etária de 45 a 59 anos, por exemplo, chega a 54%, ante 20,5% na de 15 a 29 anos. “O estudo nos trouxe a revelação de que precisamos nos preocupar muito com a qualificação, com reforço do ensino básico para a população mais madura”, disse o secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos.
A pesquisa da Seade foi encomendada pela secretaria do Trabalho para servir de subsídio para a elaboração do Programa Estadual de Qualificação Profissional, que deverá ser colocado em prática ainda neste ano.
A necessidade de contratar profissionais experientes, que estão em falta no mercado, tem levado um número cada vez maior de empresas a recorrer a funcionários aposentados. Outra alternativa tem sido a contratação de profissionais recém-formados, sem experiência profissional, mas com boa formação acadêmica.
Nesse contexto, os desempregados com idade avançada enfrentam sérias dificuldades para encontrar uma nova colocação no mercado de trabalho.
Para Afif, a falta de ensino fundamental é sinônimo de desemprego.“O desemprego hoje é dos mais velhos, em profissões muito simples, e a grande dificuldade é que boa parte deles não sabe ler, escrever e fazer contas direito”, disse o secretário. “O que está se busca hoje é mão-de-obra qualificada para construção civil, limpeza e conservação e serviços domésticos”.
Para suprir essa deficiência, os cursos de qualificação do Estado vão incluir conteúdos que reforcem conhecimentos que deveriam ter sido adquiridos no ensino básico. “Se o curso tiver 200 horas, pelo menos 120 horas serão de ensino básico”, disse Afif
O levantamento da Fundação Seade mostrou que a construção civil foi o setor que mais demandou mão-de-obra no Estado de São Paulo, com crescimento de 18,3% no número de vagas com carteira assinada. Em seguida estão comércio (7,1%), indústria (6,1%) e serviços (4,9%). A agropecuária, praticamente não evoluiu, com ligeiro crescimento de 0,6% na criação de novas vagas.
Entre os homens, as ocupações com maior expansão de postos de trabalho foram serventes de obras (24,5%), alimentador de linha de produção (22,9%) e faxineiro (13,9%). No caso feminino, as ocupações com melhor desempenho foram alimentador de linha de produção (19,2%), operador de telemarketing (14,5%) e atendente de lanchonete (12,4%).
A meta do governo paulista é qualificar 30 mil trabalhadores este ano, 60 mil no ano que vem e 90 mil em 2010. O número deverá ser elevado para 180 mil qualificações por ano, o que corresponde à demanda atual, equivalente a 1% da PEA.
A idéia é trabalhar em conjunto com entidades que já atuam na área e têm infra-estrutura instalada e corpo técnico pronto. Para qualificar 30 mil trabalhadores em 2008, a previsão é de gasto ao redor de R$ 30 milhões.
NÚMEROS
42% da mão-de-obra do Estado de SP com idade entre 15 e 65 anos é analfabeta ou não concluiu o ensino básico
54% da mão-de-obra paulista na faixa etária de 45 a 59 anos não têm o ensino básico completo
18,3% Foi o crescimento no número de vagas com carteira assinada na construção civil em São Paulo
30 mil trabalhadores deverão receber treinamento profissional no Estado neste ano
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