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Laço entre McCain e indústria de bebida causa preocupação
Parte da fortuna familiar vem da distribuidora de cerveja de sua mulher
Michael Kranish, The Boston Globe, Phoenix, EUA
As instalações da distribuidora de cervejas da Anheuser-Busch em Phoenix estendem-se por vários hectares, encimadas por uma placa gigante da Budweiser brilhando sob o sol do deserto. É dali que vem grande parte da fortuna da família do senador John McCain. Sua mulher, Cindy, é presidente do conselho de administração. Seu filho do primeiro casamento, Andrew, é o diretor financeiro. O próprio McCain já foi diretor de publicidade da companhia.
Reconhecendo a aparência de conflito de interesses, McCain recusou-se a votar em questões relacionadas ao álcool no Congresso, da idade de consumo ao imposto sobre a cerveja. No entanto, se for eleito presidente, ele será obrigado a sancionar ou vetar leis relacionadas à indústria do álcool. E, embora alguns grupos defensores do interesse público tenham aplaudido o senador por tentar evitar um conflito no Congresso, alguns órgãos de vigilância da indústria estão preocupados porque McCain, eleito presidente, possivelmente terá de tomar decisões sobre uma série de novas medidas ligadas ao álcool.
A indústria cervejeira já faz lobby pesado para anular um aumento de imposto aprovado em 1991. Também há um movimento para baixar de 21 para 18 anos a idade em que a bebida é permitida. “Não ajudaria muito ter um presidente da Anheuser-Busch”, afirmou George Hacker, diretor do projeto de políticas do álcool do Centro de Ciência para o Interesse Público, uma organização sem fins lucrativos.
A porta-voz de McCain, Jill Hazelbaker, disse não poder especular sobre como sua família administraria a empresa se ele fosse eleito presidente. Funcionários da Hensley & Co., a distribuidora de cerveja familiar supervisionada por Cindy, não quiseram dar entrevista.
Jan Baran, ex-diretor jurídico do Comitê Nacional Republicano, afirmou que a lei não exige que McCain renuncie a nenhum ativo. “Obviamente, ele vai querer exercer o poder da presidência, mas não vai querer tomar nenhuma atitude que enriqueça a ele ou a sua família indevidamente”, disse Baran.
Uma análise publicada em setembro pelo Roll Call, um jornal do Capitólio, estimou os ativos de John e Cindy McCain em US$ 44 milhões, o que torna o senador o nono membro mais rico do Congresso. Embora McCain tenha um acordo pré-nupcial prevendo que ele não vai controlar os ativos da mulher, o formulário de declaração financeira do Senado considera o conjunto dos bens do casal.
O lobby do álcool é um dos mais influentes de Washington. Embora McCain tenha se afastado das questões relacionadas ao álcool, ele não recusou o dinheiro da indústria. De todos os candidatos a cargos federais em 2008 - para a Casa Branca, o Senado e a Câmara -, McCain foi o terceiro que mais recebeu verbas do setor.
A maior receptora foi a senadora Hillary Clinton, com US$ 210.750, seguida pelo ex-prefeito nova-iorquino Rudolph Giuliani (US$ 186.725) e por McCain (US$ 152.725), segundo o apartidário Centro para a Política Responsável. Entre os candidatos a postos federais, McCain foi o que mais recebeu dinheiro da Anheuser-Busch, que fornece cerveja à companhia de sua mulher. Foram US$ 15.200.
Segundo Hazelbaker, McCain não vê problema em aceitar o dinheiro porque não fez nenhum favor ao setor. “O senador McCain sempre se recusou a considerar ou votar leis que teriam impacto sobre a indústria da cerveja ou a indústria do álcool em geral”, disse a porta-voz.
Essa inação num tema importante é incomum para McCain. Como presidente e como chefe da ala republicana da Comissão de Comércio do Senado, ele procurou cercar a indústria do tabaco com uma série de programas destinados a impedir o tabagismo entre os jovens.
McCain tem motivos pessoais para se preocupar com os perigos do consumo excessivo de álcool. O senador já falou várias vezes sobre os dias de bebedeira da juventude, mas sua família e sua campanha dizem que, atualmente, ele quase nunca bebe.
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