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Aos 101 anos, aposentado aprende a ler
Sebastião Domingues Oliveira recebe, na semana que vem, certificado de conclusão do curso de alfabetização
Evandro Fadel
O aposentado Sebastião Domingues Oliveira completou, no último dia 17 de janeiro, 101 anos de idade, mas não quer parar suas atividades. Até três anos atrás, empunhava diariamente a enxada e cuidava das plantações de seu sítio no município de Ampére, a cerca de 520 quilômetros de Curitiba, no sudoeste paranaense.
Quando as dores na coluna dificultaram o trabalho, ele passou para os livros escolares. Resultado: na próxima semana, deve receber o certificado de participação no Programa Paraná Alfabetizado. “Aquele que não lê sabe a falta que faz”, disse Oliveira. “Por isso as pessoas têm de aproveitar as oportunidades e aprender sempre”, completou o aposentado.
Nascido em Caçador (SC), Oliveira lamentou não ter conseguido estudar antes. “Quando eu era criança não havia escola perto e, depois, tinha de trabalhar para criar os filhos”, afirmou.
Uma frustração que não quis para nenhum deles. Todos os 12 filhos do aposentado estudaram. Agora, tem mais de 80 netos e bisnetos.
“Ninguém fica sem estudo”, completou. Nessa lista está incluída sua mulher, Carmelinda de Brito, de 74 anos, que também voltou à sala de aula. “Ela já sabia um pouco, mas agora me acompanha.”
Oliveira aprendeu a escrever, a identificar números e, seu maior orgulho, está lendo. Deve iniciar agora o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), uma espécie de supletivo que, na primeira fase, contempla a educação de 1.ª a 4.ª séries.
“Ele ainda tem algumas dificuldades em palavras mais complexas, algo normal por causa da idade e de problemas de visão”, disse a coordenadora local do programa, Dilamar Savagnago. “É um processo lento, mas seu exemplo vai ficar para todos.”
DISPOSIÇÃO
A escola que oferece os cursos de alfabetização fica a cerca de 800 metros da casa de Oliveira, trajeto que ele percorre a pé duas vezes por semana. Entre 13h30 e 17 horas, convive com outros 14 colegas, entre eles jovens com 20 anos.
“Tem gente que não se interessa pelo estudo, mas eu acho muito bom”, disse ele. “Antes, ia comprar qualquer coisa e não sabia o que era, precisava pedir ajuda, não sabia assinar o nome, mas agora melhorou muito a minha vida”, completou.
A meta estadual do Programa Paraná Alfabetizado é superar o analfabetismo até 2010. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2006, o índice de analfabetismo no Estado era de 6,5% naquele ano, o que representa cerca de 508 mil pessoas.
O programa paranaense atendeu, entre agosto de 2004 e dezembro do ano passado, aproximadamente 216 mil pessoas.
Muitas delas podem não estar contabilizadas no resultado da Pnad. Por isso, a expectativa é de que os números a serem divulgados neste ano na pesquisa mostrem uma queda maior no índice de analfabetismo do Estado.
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