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Sexta-feira, 29 fevereiro de 2008   edições anteriores
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  Nova calçada da Paulista racha após 4 meses

Prefeitura promete refazer parte de obras que custaram R$ 8,1 mi

Vitor Hugo Brandalise

Basta olhar para o chão para perceber: quatro meses depois de reaberto, o primeiro trecho reformado da calçada da Avenida Paulista, entre a Praça Oswaldo Cruz e o Hospital Santa Catarina, está repleto de rachaduras, a água se acumula próximo aos canteiros e o cimento ao redor dos frisos de latão dourado começa a ruir.

No ponto em que a calçada apresenta mais defeitos, em frente ao hospital, na altura do número 200, as rachaduras se ramificam ao longo do concreto moldado in loco - método “simples e barato, referência para as calçadas da cidade”, segundo o prefeito Gilberto Kassab (DEM), na apresentação do projeto. As bordas das divisórias douradas - quebradas em toda a sua extensão, em alguns locais - chamam a atenção, pois foram escolhidas para compensar deformações por dilatação do concreto. “É melhor que o mosaico que havia antes, mas o ideal seria concreto pré-moldado”, diz o presidente da Associação Paulista Viva, Nelson Baeta Neves, que acompanha a reforma desde o início, em julho de 2007. Na época, o prefeito Kassab disse que a obra deixaria a avenida com o maior nível de acessibilidade do País. O valor da obra, executada pela Engeform, é de R$ 8,1 milhões. O trecho problemático foi reaberto em outubro.

O secretário de Coordenação de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, admite os problemas: “O assentamento do concreto e os rejuntes não deram certo ali. Conversamos com a construtora e, quando estivermos perto da entrega de todos os trechos da obra, vamos refazer aquele piso”. A previsão é que a reforma acabe em junho.

Os pedestres ficam revoltados. “Será que são necessários sempre dois transtornos para a população, um para fazer, outro para refazer? Quando terminarem os outros trechos, esse aqui vai estar uma porcaria”, diz o geógrafo Márcio Gomes, de 36 anos, que mora a duas quadras dali.

“O problema é que logo as rachaduras aumentam, abre um buraco, aí não tem quem não veja. Deveriam ter pensado nisso”, diz a operadora de telemarketing Adriana de Araújo, de 22, que caminha na Paulista duas vezes por dia.

Outros trechos da avenida - como na altura do número 287, no lado ímpar, e do 470, no par - apresentam rachaduras menores e os mesmos problemas nos frisos dourados. “Começam assim, mas depois podem virar buracos e obrigar que a Prefeitura tenha de remendar a calçada com cimento”, diz Baeta Neves.

A administração, porém, minimiza o problema.“São coisas comuns e já esperadas durante a execução de obras extensas como essa”, diz Matarazzo.

   


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