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Julio Mesquita
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  Terreno de R$ 500 mi terá hotel de luxo

Transação de área da casa bandeirista do Itaim é a mais cara de São Paulo

Adriana Carranca e Rodrigo Brancatelli

Quem passa pelo quarteirão formado pela Avenida Brigadeiro Faria Lima e pelas Ruas Horácio Lafer, Iguatemi e Aspásia, no Itaim, zona sul, não imagina que os muros pichados que o cercam escondem uma jóia - um terreno de 20 mil metros quadrados, arrematado esta semana por nada menos que R$ 500 milhões pelo fundo inglês de investimentos McCafferty. É o mais caro pedaço de terra já vendido em São Paulo - o preço por m² chegou a R$ 25 mil. No local será erguido um hotel de luxo da rede Four Seasons, o primeiro da marca no País.

O hotel ficará logo ao lado das ruínas de uma casa bandeirista do século 18. O espaço será restaurado e anexado ao novo empreendimento, nos mesmos moldes da Casa das Rosas, que fica na Avenida Paulista e tem no quintal um arranha-céu.

Sede original do Sítio Itaí (“pedra pequena”, em tupi), que deu nome ao bairro, a casa bandeirista foi tombada, em 1982, pelos órgãos de proteção do patrimônio municipal (Conpresp) e estadual (Condephaat). O então proprietário, o megainvestidor Naji Nahas, foi acusado por entidades de moradores do bairro de tentar se livrar do tombamento e de cortar árvores. A área desmatada é hoje um estacionamento.

A identidade do atual dono é controversa. O lote teria sido vendido por um grupo liderado pelo investidor Wafic Said, ligado à família real saudita. Mas pelo menos até 2003 ainda constava como sendo da Bela Vista S/A, empresa de Nahas.

PLANTA APROVADA

Embora já exista aval da Prefeitura para a construção de um imóvel de 80 mil m² no terreno, a planta de um empreendimento que nunca saiu do papel, apresentada há quase uma década, previa só prédios comerciais e um shopping center. Para construir o hotel, os novos donos terão de pedir outra autorização. Mas hoje a única restrição é a necessidade de preservar a casa e 300 metros do seu entorno.

   


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